Diabetes: recuperação do sono ao fim de semana pode diminuir risco

Estudo publicado na revista “Diabetes Care”

22 janeiro 2016
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Duas noites consecutivas de sono prolongado, que pode ocorrer tipicamente ao fim-de-semana, parece contrariar o aumento do risco da diabetes associado à restrição do sono durante a semana, pelo menos nos homens magros, saudáveis, que ingerem uma dieta controlada, sugere um estudo publicado na revista “Diabetes Care”.
 

O padrão de dormir poucas horas durante a semana e compensar ao fim-de-semana é comum. Mesmo que a restrição do sono seja de curta duração, quatro ou cinco horas de sono por noite, pode aumentar o risco de desenvolver diabetes em cerca de 16%, comparável ao aumento do risco causado pela obesidade.
 

“Verificámos que dormir duas noites consecutivas de sono prolongado pode reverter os efeitos negativos metabólicos de quatro noites consecutivas de sono restritivo”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Josiane Broussard.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, recrutaram 19 homens jovens e saudáveis. Numa primeira fase os participantes dormiram normalmente, passando cerca de 8,5 horas na cama durante quatro noites. Na segunda fase, os mesmos indivíduos foram privados de sono, podendo permanecer apenas 4,5 horas na cama, ao longo de quatro noites consecutivas. Em média passaram cerca de 4,3 horas por noite a dormir. Posteriormente, estes homens dormiram, em média, 9,7 horas durante duas noites consecutivas.
 

Os participantes foram submetidos a testes para determinar a sensibilidade à insulina, ou seja, a capacidade da insulina regular os níveis de glucose no sangue, e o índice de disposição que prevê o risco de diabetes.
 

O estudo apurou que após quatro noites de restrição de sono, a sensibilidade à insulina diminui 23% e o risco de diabetes aumentou 16%. Contudo, os valores da sensibilidade à insulina e o risco de diabetes foram revertidos após duas noites de sono prolongado.
 

“A resposta metabólica a este tempo de sono extra é muito interessante e encorajador. Isto demonstra que os indivíduos jovens e saudáveis que esporadicamente não dormem o suficiente durante a semana de trabalho podem reduzir o risco de diabetes colocando o sono em dia durante o fim-de-semana”, referiu a investigadora.
 

Os investigadores referem que, no entanto, o risco aumentado do desenvolvimento da diabetes não está unicamente associado à falta de sono. Os indivíduos incluídos no estudo ingeriam uma dieta controlada, mas aqueles com restrição de sono fora do ambiente laboratorial tendem a comer mais, têm uma maior tendência por doces e alimentos ricos em gorduras.
 

A falta de sono crónica está também associada ao desenvolvimento de outros problemas de saúde, como o aumento da inflamação e pressão arterial elevada. Estes indivíduos apresentam também problemas cognitivos, tendem a estar menos em alerta e apresentam dificuldades na concentração, raciocínio, resolução de problemas, tendo mais propensão para ter acidentes de viação.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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