Diabetes pode ser causada pela acumulação tóxica de metabolitos lipídicos

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

09 novembro 2016
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A acumulação de uma classe tóxica de metabolitos lipídicos, as ceramidas, pode tornar os indivíduos mais propensos a desenvolver diabetes tipo 2. O estudo publicado na revista “Cell Metabolism” poderá explicar por que motivo as pessoas magras podem desenvolver diabetes, enquanto um indivíduo gordo pode permanecer saudável.
 

Scott Summers, o líder do estudo, referiu que as ceramidas têm impacto na forma como o organismo lida com os nutrientes, afetando a forma como este responde à insulina e também como queima as calorias.
 

Quando as pessoas ingerem alimentos em demasia produzem um excesso de ácidos gordos, que podem ser armazenados sob a forma de triglicéridos ou queimados para obtenção de energia. Contudo, em alguns indivíduos, os ácidos gordos são convertidos em ceramidas.
 

Nestas circunstâncias, o tecido adiposo deixa de funcionar apropriadamente e a gordura espalha-se para a vasculatura ou coração e danifica outros tecidos periféricos. Até à data, os cientistas não sabiam como as ceramidas danificavam o organismo.
 

Neste estudo, a equipa internacional liderada pelos investigadores da Universidade de Utah, nos EUA, descobriu que a adição de um excesso de ceramidas em células humanas e de ratinho tornou-as insensíveis à insulina e afetou a sua capacidade de queimar calorias. Os animais ficaram mais suscetíveis à diabetes, bem como à doença do fígado gordo.
 

O estudo também apurou que os ratinhos com menos ceramidas no tecido adiposo estavam protegidos da resistência à insulina, o primeiro sinal da diabetes. Os resultados sugerem que níveis elevados de ceramidas podem aumentar o risco da diabetes e que os níveis baixos protegem contra o desenvolvimento da doença.
 

Na opinião dos investigadores, estes resultados podem indicar que alguns indivíduos são mais propensos a converter calorias em ceramidas do que outros. Bhagirath Chaurasia, um dos autores do estudo, sugere que alguns indivíduos magros irão desenvolver diabetes ou doença do fígado gordo se tiverem desencadeadores genéticos para a acumulação da ceramida.
 

Os cientistas explicam que existem três tipos de tecido adiposo. O tecido adiposo branco é considerado prejudicial, uma vez que armazena predominantemente gordura. O tecido adiposo castanho queima gordura para gerar calor. O tecido adiposo bege é uma variedade do branco que pode ser alterado para castanho quando o organismo necessita de produzir calor ou criar energia.
 

Com base no resultado deste estudo, os investigadores propõem que à medida que as ceramidas se acumulam, o tecido perde a características de tecido adiposo castanho, ficando cada vez mais branco, o que desencadeia uma sequência de eventos que pode conduzir à doença.
 

Bhagirath Chaurasia, concluiu que com o bloqueio da produção de ceramidas pode ser possível impedir o desenvolvimento da diabetes tipo 2 ou outras condições metabólicas, pelo menos em algumas pessoas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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