Diabetes não-diagnosticada associada a ataque cardíaco e periodontite

Estudo publicado na revista “Diabetes Care”

13 junho 2019
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As pessoas com diabetes não-diagnosticada correm um maior risco de ataque do miocárdio e de periodontite, atestou um estudo.
 
Segundo a equipa que conduziu o estudo, do Instituto Karolinska, na Suécia, os resultados demonstram a necessidade de maior colaboração entre os dentistas e os médicos, como a introdução de rastreios da diabetes em clínicas dentárias.
 
Sabia-se já que a periodontite severa está associada a um risco mais elevado de enfarte do miocárdio e de menor tolerância à glicose. Foi também observado que a diabetes é mais prevalente em pacientes que tenham sofrido um enfarte do miocárdio.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com dados de outro estudo anterior, conhecido como PAROKRANK. O estudo incluía 805 pacientes de enfarte de miocárdio e 805 controlos equiparados em termos de idade, sexo e área de residência.
 
O estatuto de periodontite dos participantes foi avaliado através de raio-X e o de disglicemia (menor capacidade de metabolizar o açúcar) através de testes de tolerância à glicose. 
 
Foram excluídos os participantes com diagnóstico de diabetes, o que deixou 712 pacientes e 731 controlos, com dados sobre o estatuto de periodontite e de glicose, sendo o último dividido em três categorias: normal, pouca tolerância à glicose e diabetes recém-detetada.
 
Como resultado, foi verificado que as doenças relacionadas com a glicose não detetadas anteriormente, incluindo diabetes e baixa tolerância à glicose, foram associadas a enfarte do miocárdio. Os pacientes de enfarte do miocárdio apresentavam mais ou menos o dobro de incidência de disglicemia não-detetada do que os controlos saudáveis.
 
Por outro lado, a diabetes não-detetada foi associada à periodontite severa. Ao analisar os pacientes e os controlos separadamente, a equipa observou que a associação era mais evidente nos pacientes do que nos controlos, talvez pelo facto de muitos dos controlos serem muito saudáveis, com poucos a apresentarem periodontite severa e diabetes não-diagnosticada.
 
“Os nossos achados indicam que a disglicemia constitui um fator de risco chave para a periodontite severa e o enfarte do miocárdio e que a combinação de periodontite severa e diabetes não detetada aumenta o risco de enfarte do miocárdio”, concluiu Anna Norhammar, investigadora que liderou o estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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