Diabetes na meia-idade pode conduzir a perda de células cerebrais

Estudo publicado na revista “Neurology”

25 março 2014
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Os indivíduos que desenvolvem diabetes e hipertensão na meia-idade são mais propensas a ter perda de células cerebrais e outros danos no cérebro, assim como problemas de memória, comparativamente com aqueles que desenvolvem este tipo de doenças em idades mais avançadas, defende um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

“Potencialmente, se formos capazes de prevenir ou controlar a diabetes e a hipertensão na meia-idade, talvez seja possível prevenir ou atrasar os danos cerebrais que ocorrem décadas mais tarde e que conduzem a problemas de memória, raciocínio e demência”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Rosebud O. Roberts.
 

Neste estudo os investigadores da Clinica Mayo, nos EUA, avaliaram as capacidades de raciocínio e memória de 1.437 indivíduos que tinham uma média de 80 anos de idade. Os participantes não tinham problemas de memória, raciocínio. Os dados clínicos dos pacientes foram analisados de forma a determinar quando os participantes tinham sido diagnosticados com diabetes ou pressão arterial elevada, se na meia-idade ou mais tarde.
 

Os investigadores constataram que, no total, 72 indivíduos desenvolveram diabetes na meia-idade, 142 em idade mais avançada e 1.192 não tinham diabetes. Relativamente à hipertensão, 449 indivíduos desenvolveram esta condição na meia-idade, 448 em idade avançada e 369 não a desenvolveram.
 

O estudo apurou que comparativamente com os indivíduos sem diabetes, os que tinham desenvolvido esta condição na meia-idade apresentavam um volume cerebral, em média, 2,9% menor. Especificamente no hipocampo, o volume era 4% mais pequeno, apresentando estes pacientes um risco duas vezes maior de terem problemas de memória e de raciocínio.  
 

Relativamente aos indivíduos que não desenvolveram hipertensão, os que desenvolveram esta condição na meia-idade eram mais propensos a ter áreas do cérebro danificadas.
 

Os indivíduos que desenvolveram diabetes em idade avançada também eram mais propensos a ter áreas do cérebro danificados. Contudo, esta associação não se verificou com a hipertensão.
 

“No geral, os nossos resultados sugerem que os efeitos destas doenças no cérebro levam décadas a desenvolver-se, aparecendo como dano cerebral e conduzem a sintomas que afetam a sua memória e as capacidades de raciocínio. Em particular, a diabetes tem efeitos adversos independentemente da idade a que se desenvolve”, conclui Rosebud O. Roberts.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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