Diabetes: lançado medidor de glicose sem picadas nos dedos

Declarações do presidente da Sociedade de Diabetologia

12 setembro 2016
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Na semana passada foi lançado o primeiro medidor de glicose que evita as picadas nos dedos rotineiras entre os diabéticos. Esta ferramenta mede os níveis de açúcar durante as 24 horas do dia.
 

Segundo a notícia avançada pela agência Lusa, o dispositivo é constituído por um sensor redondo que mede 35 por 5 milímetros, o qual é instalado na parte posterior do braço. Este tem uma duração de 14 dias, medindo em permanência os níveis de glicose intersticial (líquido que fica entre as células do corpo e que se encontra nas camadas superficiais da pele).
 

De acordo com José Luís Medina, presidente da Sociedade de Diabetologia, este medidor é “a última revolução” no controlo da diabetes, contribuindo para “melhorar significativamente a vida dos doentes”. O dispositivo é capaz de fazer várias leituras diárias e, além de dar ao doente o valor do momento, permite perceber o que se passou nos níveis de glicose nas últimas oito horas e também mostra a tendência de evolução para o futuro.
 

O novo medidor de glicose está indicado para todos os diabéticos, mesmo para crianças a partir dos 4 anos, mas são os doentes com diabetes tipo 1 e com diabetes tipo 2 menos controlada e que fazem insulina quem mais podem beneficiar.
 

O kit inicial do aparelho Freestyle Libre custa 169,90 euros e vem com um leitor e dois sensores, dando para cerca de um mês de utilização, já que os sensores têm duração de até 14 dias. Cada sensor custa depois 59,90 euros.
 

Em média, o custo mensal para utilizar este novo medidor ronda os 120 euros. Contudo, Paulo Sousa, responsável do laboratório que comercializa o dispositivo, defende que a diferença de preço para a normal tecnologia de tiras que obriga a picadas nos dedos não é muito significativa, se não se contar com a comparticipação estatal.
 

Um paciente com diabetes tipo 1 controla os seus níveis uma média de seis vezes ao dia, consumindo assim uma média de 3,6 caixas de tiras por mês. Cada embalagem de tiras custa menos de 20 euros, o que perfaz um custo mensal de cerca de 80 euros.
 

Contudo, o utente não paga além de sete euros por mês porque o Estado comparticipa em 85% estes produtos para os diabéticos, além de comparticipar a 100% os tradicionais leitores das tiras que medem a glicémia.
 

Deste modo, o laboratório que comercializa o Freestyle Libre espera que esta tecnologia venha também a ser comparticipada pelo Estado e adianta que já foram feitas diligências junto das autoridades.
O presidente da Sociedade de Diabetologia defende igualmente que o Estado comparticipe esta tecnologia, adiantando que os doentes estão ansiosos por experimentar.
 

“Implica maior liberdade e melhor qualidade de vida”, argumenta o médico endocrinologista. E refere que estudos têm demonstrado que este novo método traz uma redução dos níveis de glicose e consegue aumentar a adesão à monitorização ou controlo dos níveis, sobretudo para os doentes que têm de picar muitas vezes os dedos.
 

Em Portugal, cerca de um milhão de pessoas vive com diabetes e mais dois milhões têm risco elevado de a vir a desenvolver.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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