Diabetes gestacional: como afeta o fluxo sanguíneo?

Estudo do Hospital Central Bronx-Lebanon

19 dezembro 2016
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O sangue flui preferencialmente para a placenta em detrimento do cérebro nos fetos de mulheres com diabetes, atesta um estudo apresentado no EuroEcho-Imaging 2016, a reunião anual da Associação Europeia de Imagiologia Cardiovascular.
 
A diabetes gestacional afeta os órgãos fetais. Na verdade, os bebés nascidos de mães com diabetes mellitus são por vezes maiores, especialmente se a diabetes não estiver controlada, e a placenta também é maior. Alguns estudos têm sugerido que órgãos como o pâncreas e os rins do feto também podem ser afetados. 
 
Em estudos anteriores, os investigadores do Hospital Central Bronx-Lebanon, nos EUA, já tinham identificado alterações subclínicas no coração dos fetos de mães com diabetes. Neste estudo, os investigadores, liderados por Aparna Kulkarni, decidiram averiguar se estes fetos apresentavam alterações na circulação sanguínea. 
 
O estudo contou com a participação de 14 fetos de mães com diabetes tipo 1 ou 2 e 16 fetos de mães sem diabetes. Nove das pacientes com diabetes utilizavam insulina, três tomavam medicação oral e duas controlavam os níveis de glucose através da dieta. 
 
Os investigadores utilizaram a ecocardiografia fetal com Doppler para medir o fluxo de sangue para o cérebro, coração e placenta. Verificou-se que, comparativamente com os fetos do grupo de controlo, nos fetos das mães diabéticas o sangue fluía para a placenta e era desviado do cérebro. Os fetos das mães diabéticas apresentavam uma menor resistência e elasticidade placentária, um menor fluxo sanguíneo para as artérias do cérebro e uma menor proporção do fluxo sanguíneo para o cérebro comparativamente com a placenta.
 
A investigadora refere que a placenta dos fetos de mães com diabetes têm alterações nos vasos sanguíneos havendo por isso um maior fluxo sanguíneo. Contudo, o facto de ser ter observado um menor fornecimento de sangue para o cérebro é um achado interessante que pode ter grandes implicações. 
 
Na opinião de Aparna Kulkarni é possível que uma menor circulação no cérebro possa afetar o bebé ao longo da vida. Contudo, ainda não se sabe ao certo como esta redistribuição do sangue ocorre ou as implicações que poderá ter. 
 
Desta forma, são necessários mais estudos para averiguar se estes achados têm algum impacto, a longo prazo, na saúde do bebé e se pode ser tomada alguma medida para prevenir esta situação. Para já a investigadora aconselha a que as mulheres grávidas controlem de perto os níveis de glucose e adotem um estilo de vida saudável. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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