Diabetes: fármaco ativado por luz pode diminuir efeitos secundários

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

17 outubro 2014
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Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu um fármaco para tratar a diabetes tipo 2 que é ativado através de uma luz azul, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Os fármacos utilizados no tratamento da diabetes que promovem a libertação da insulina do pâncreas podem, em alguns casos, causar efeitos secundários noutros órgãos, como o cérebro e coração. Outros podem também estimular em demasia a insulina, fazendo com que os níveis desta hormona desçam para níveis demasiado baixos.
 

De forma a tentar ultrapassar este problema, os investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, e da Universidade de Munique, na Alemanha, adaptaram um tipo de fármaco já existente, a sulfonilureia, de forma a alterar a sua forma quando exposto a uma luz azul.
 

Os investigadores explicaram que, em condições normais, o fármaco está inativo, mas o paciente poderá, em teoria, ativá-lo através de um LED azul colocado na pele. Para que a forma do fármaco seja alterada é apenas necessário que uma pequena quantidade de luz penetre na pele. Esta alteração é reversível, assim o fármaco fica de novo inativo quando a luz está desligada.
 

O estudo demonstrou que este novo fármaco, conhecido por JB253 e ainda em fase de protótipo, estimula a libertação da insulina das células pancreáticas quando exposto a uma luz azul. “Em princípio, este tipo de terapia permitirá um melhor controlo dos níveis de glucose uma vez que pode ser ativado por um curto período de tempo após uma refeição. Este poderá também reduzir as complicações, orientando a atividade do fármaco para onde é necessária no pâncreas ", explicou um outro líder do estudo, David J. Hodson.
 

Apesar de as moléculas que reagem à luz serem conhecidas desde o século XIX, apenas nos últimos anos a comunidade científica tem explorado as suas propriedades. “Os fármacos fotoativos e a farmacologia podem ser muitos úteis em muitos tipos de doença, ao permitir um controlo remoto de um processo específico do organismo através da luz”, referiu, um dos líderes do estudo, Dirk Trauner.
 

“A investigação realizada em torno dos fármacos fotoativos ainda está numa fase relativamente embrionária. Contudo, esta não deixa de ser uma área de estudo fascinante que pode, no futuro, ajudar a produzir versões terapêuticas mais seguras e mais controláveis”, acrescentou ainda Richard Elliott.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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