Diabetes: efeitos da cirurgia bariátrica associada a alterações na flora intestinal

Estudo publicado no “The American Journal of Pathology”

13 julho 2016
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Investigadores chineses demonstraram que o efeito benéfico da cirurgia bariátrica na diabetes tipo 2 não se deve apenas à redução do peso, mas também a uma melhoria da tolerância à glucose e a sensibilidade à insulina. Esta melhoria no metabolismo ocorre em conjunto com alterações na flora intestinal, o que sugere um papel potencial dos microrganismos intestinais na remissão da diabetes, sugere um estudo publicado no “The American Journal of Pathology”.
 

“A nossa investigação mostrou que a cirurgia de bypass gástrico pode ser aplicada à cura da diabetes com origem genética (mutação) e ambiental (induzida por dieta)”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Xiang Gao.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Nanjing, na China, utilizaram um modelo de ratinhos para a diabetes mellitus tipo 2, que mimetizava os sintomas da doença, incluindo resistência à insulina, níveis lípidicos sanguíneos elevados, inflamação metabólica e obesidade. Os animais apresentavam uma mutação no fator neurotrófico derivado do cérebro (Bdnf), um regulador-chave tanto da função cerebral como do equilíbrio metabólico.
 

O estudo apurou que a cirurgia de bypass gástrico revertia as alterações metabólicas indicadoras da diabetes sem alterar a expressão do Bdnf diretamente. A tolerância à glucose e a sensibilidade à insulina foram bastante melhoradas e houve uma menor acumulação de gordura no fígado e tecido adiposo branco.
 

Os investigadores verificaram que, duas semanas após a cirurgia, a sensibilidade à insulina atingia níveis normais, pelo menos ao longo de oito semanas. Seis semanas após a cirurgia, a tolerância oral à glucose nos ratinhos tratados era significativamente menor do que nos ratinhos submetidos a uma cirurgia controlo (sham), tendo atingido níveis similares ao observado nos animais controlo.
 

A análise da composição das bactérias e de outros microrganismos na flora dos ratinhos mutados antes e após a cirurgia e também no grupo de controlo, demonstrou uma diminuição das bactérias patogénicas e um aumento das bactérias benéficas, o que coincidiu com o início de um melhor controlo glicémico.
 

Acredita-se que a inflamação, especialmente no tecido adiposo branco e fígado, desempenha um papel importante na obesidade e diabetes tipo 2. Oito semanas após a cirurgia, verificou-se uma diminuição nos indicadores inflamatórios no fígado e no tecido adiposo apesar de efeitos anti-inflamatórios pós-cirúrgicos terem ocorrido após a sensibilidade à insulina ter melhorado.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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