Diabetes e doença cardíaca: relação biológica descoberta

Estudo publicado na “Nature”

07 outubro 2013
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Investigadores americanos descobriram pela primeira vez a relação biológica entre a diabetes e a doença cardíaca, a qual poderá explicar por que motivo os diabéticos apresentam um maior risco de doença cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Os investigadores do UC Davis Health System, nos EUA, constataram que, quando os níveis de glucose são anormalmente elevados, há ativação de uma via biológica que causa o batimento cardíaco irregular, arritmia cardíaca, que está associada à insuficiência cardíaca e morte cardíaca súbita.
 

Apesar da doença cardíaca ser uma doença comum, o risco desta doença quadruplica na presença da diabetes, de acordo com o National Institutes of Health, nos EUA. Neste estudo os investigadores constataram que níveis moderados a elevados de glucose, característicos da diabetes, fazem com que ocorra uma fusão entre uma molécula de açúcar (O-GlcNAc) nas células do músculo cardíaco e um local específico numa proteína (CaMKII).
 

O CaMKII desempenha um papel importante na regulação dos níveis normais de cálcio, atividade elétrica e no bombeamento do coração. No entanto, a sua fusão com O-GlcNAc conduz à ativação crónica do CaMKII e alterações patológicas nos sistemas de sinalização de cálcio, despoletando arritmias em poucos minutos. Os investigadores verificaram que as arritmias eram impedidas através da inibição do CaMKII ou da sua fusão com o O-GlcNAc.
 

Uma vez que O-GlcNAc contém glucose e funciona como um dos principais sensores de nutrientes na regulação da maioria dos processos celulares, não é surpreendente que a ligação deste açúcar às proteínas tenha emergido com um dos principais mecanismo moleculares da toxicidade da glucose na diabetes”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Gerald Hart.
 

Contudo, segundo o mesmo investigador este é o mecanismo mais fidedigno, estudado até à data, no que diz respeito à forma como a glucose pode diretamente afetar a função de uma proteína reguladora importante.
 

Estes resultados vão com certeza conduzir ao desenvolvimento de tratamentos para a doença cardiovascular diabética e, potencialmente, a terapêuticas para a toxicidade da glucose noutros tecidos que são afetados pela diabetes, como a retina, o sistema nervoso central e os rins, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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