Diabetes e a doença hepática

Associação entre as duas patologias vai ser discutida

01 julho 2015
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Trinta por cento dos diabéticos sofre de doença hepática e Portugal necessita de especialistas capazes de avaliar as duas patologias como uma só entidade clínica.


A associação entre estas duas patologias vai ser discutida na primeira reunião nacional sobre "Diabéticos e Fígado", que vai ocorrer no próximo sábado, no Hospital de S. Pedro, em Vila Real.


"Há uma falta de consciência de que se está perante uma doença bipolar: existem doentes com doença de fígado que desenvolvem diabetes − muitas vezes associadas a essa própria doença −, e doentes com diabetes que vão desenvolver uma doença hepática secundária à própria diabetes", explicou à agência Lusa o coordenador da Unidade Integrada de Diabetes do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e promotor do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).


Esta iniciativa, promovida pelo NEDM da SPMI, vai refletir sobre os "maiores riscos para o doente" e "desafios adicionais no tratamento" associados à combinação das duas patologias, referiu a SPMI em comunicado.


Nos países desenvolvidos, a cirrose é responsável por 12% das mortes em pessoas com diabetes, pelo que "é essencial criar abordagens terapêuticas adequadas a estes doentes", uma vez que a coexistência destas patologias representa "uma maior limitação dos fármacos disponíveis e interações medicamentosas mais complexas".


"Nós estamos muito pouco atentos a este pormenor, pelo que consideramos sempre as duas doenças separadamente e não a sua unificação numa só entidade clínica, o que levanta alguns problemas a nível do diagnóstico, da orientação e da terapia", referiu Paulo Subtil, acrescentando que "alguns clínicos sentem receio no tratamento destes doentes".


A SPMI considera que a relação entre a diabetes e a doença hepática se encontra "pouco explorada do ponto de vista da investigação" e, uma vez que "a presença de uma das patologias pressupõe o aparecimento da outra em 30% dos casos", quer promover uma maior partilha de conhecimento.


"É importante que os vários especialistas reconheçam esta relação bidirecional entre as duas patologias, compreendendo que este é um grupo específico de doentes, em que o habitual esquema de referenciação por especialidade pode não ser suficiente", indicou o médico, sublinhando que "é essencial uma integração de conhecimentos para prover a melhor solução possível".


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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