Diabetes do tipo II – a prevenção é possível mas...

... exige hábitos de vida integralmente saudáveis

12 janeiro 2002
  |  Partilhar:

As alterações do estilo de vida podem desempenhar um papel muito importante na prevenção da diabetes do tipo II – se forem alterações «de fundo», isto é, que impliquem a adopção de um estilo de vida perfeitamente saudável no que diz respeito à alimentação e à prática de exercício físico. Esta é a principal conclusão do trabalho realizado na Otago University (Nova Zelândia) por um grupo de investigadores coordenado por Kirsten A. McAuley.
 

 

A resistência insulínica e a diabetes II
 

 

A diabetes do tipo II ocorre quando o organismo resiste à acção da insulina produzida no pâncreas. O que acontece neste tipo de diabetes é que, apesar do pâncreas produzir insulina os níveis de glicose no sangue são muito altos devido ao facto das células serem resistentes aos efeitos desta hormona pancreática. Esta situação é designada por resistência insulínica.
 

 

Este tipo de diabetes é tanto mais grave quanto maior for a resistência insulínica do organismo. Todos os diabéticos do tipo II produzem insulina quando são diagnosticados e muitos deles continuarão a produzir insulina pelo resto das suas vidas, resta saber como evitar ou controlar a resistência insulínica.
 

 

O que McAuley e os seus colaboradores tentaram averiguar nesta investigação foi se as alterações do estilo de vida poderiam influenciar a resistência dos tecidos à insulina e, portanto, controlar a manifestação da diabetes.
 

 

Como relatam no artigo publicado na última edição da publicação científica Diabetes Care, embora se possa deduzir de forma empírica que a prática de hábitos saudáveis no que diz respeito à alimentação e à prática de exercício físico podem ajudar a adiar ou mesmo a evitar a manifestação da diabetes II, é necessário determinar a extensão nas alterações do estilos de vida para que essa influência seja verdadeiramente eficiente.
 

 

A investigação
 

 

Os investigadores trabalharam com um grupo de 79 pessoas insulino-resistentes mas não diabéticos, que foram divididos aleatoriamente em três grupos: o grupo de controlo (no qual não houve qualquer alteração no estilo de vida dos participantes), e dois grupos em que os participantes alteraram (de forma mais modesta ou mas intensa) os seus hábitos alimentares e de prática de exercício físico.
 

 

No grupo de intervenção «modesta», projectado para reflectir as orientações actuais sobre dieta e exercício, os voluntários tinham como objectivo consumir menos de 32 por cento da energia total em gordura. Além disso, eles tinham de ingerir mais de 25 gramas de fibra diariamente e cumprir 30 minutos de actividade física em cinco dias por semana. A intensidade desta actividade não foi especificada.
 

 

No grupo de intervenção «intensa», os voluntários deveriam consumir menos de 26 por cento da energia total em gordura. Eles também tinham de ingerir mais de 35 gramas de fibras por dia e fazer exercícios com uma intensidade de 80 a 90 por cento da frequência cardíaca máxima para sua faixa etária, durante 20 minutos em cinco dias por semana.
 

 

Ao fim de quatro meses, os investigadores foram averiguar a resistência à insulina em cada um dos grupos e verificaram que o grupo de intervenção intensa teve, em média, um aumento de 23% na sensibilidade à insulina. Já o grupo de intervenção modesta apresentou um aumento de apenas 9%, valor aproximado ao verificado no grupo controlo.
 

 

Prevenção da diabetes – um problema de saúde pública
 

 

Para os autores deste estudo, a melhoria das condições aeróbicas do organismo (directamente relacionadas com a intensidade do exercício físico) é um dos principais factores que contribuiu para o aumento da sensibilidade à insulina. O condicionamento aeróbico melhorou 11% no grupo de intervenção intensa, contra apenas 1% no grupo de intervenção moderada.
 

 

De acordo com os autores deste estudo, estes resultados têm implicações profundas na saúde pública porque, aparentemente, as orientações actuais para a prevenção da diabetes II, mesmo quando implementadas de forma vigorosa, não influenciam significativamente a principal anomalia subjacente a esta doença.
 

 

Como explicou Jim I. Mann, um dos colaboradores neste estudo, numa entrevista à agência Reuters «a prevenção da diabetes exige mudanças substanciais, que podem ser mesmo radicais, e não modestas de hábitos.»
 

 

Este trabalho mostra que para atingir um benefício máximo dos exercícios é necessário praticar exercício físico, de forma intensiva, pelo menos cinco vezes por semana. A perda de peso, o aumento do consumo de fibras e cereais integrais e a substituição de uma grande quantidade de gordura saturada (de origem animal) por gordura não saturada (de origem vegetal) são medidas nutricionais muito importantes uma vez que podem contribuir para a diminuição do risco de manifestação da doença.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.