Diabetes: desenvolvidas células produtoras de insulina

Estudo publicado na revista “Cell”

06 dezembro 2016
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Investigadores austríacos desenvolveram células produtoras de insulina através da utilização de fármacos utilizados no tratamento da malária, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

A diabetes tipo 1 é caracterizada pela incapacidade do pâncreas em produzir insulina. Na verdade, o próprio sistema imunológico deixa de reconhecer as células beta, que são habitualmente responsáveis pela produção de insulina, ataca-as e destrói-as.
 

As células alfa e beta formam, juntamente com pelo menos três outros tipos de células altamente especializadas, as chamadas ilhotas de Langerhans no pâncreas, os centros de controlo do organismo para a regulação da glucose no sangue.
 

A insulina, a hormona produzida pelas células beta, sinaliza a diminuição da glucose no sangue, enquanto o glucagon produzido pelas células alfa tem o efeito oposto. Contudo, estudos anteriores demonstraram que as células alfa podem-se transformar em células produtoras de insulina em casos de extrema destruição das células beta, com a ajuda de um regulador epigenético, o Arx.
 

Stefan Kubicek, um dos autores do estudo, refere que o Arx regula muitos genes que são importantes para o normal funcionamento das células alfa. Apesar de estudos anteriores já terem sugerido que o Arx era necessário para a transformação das células, os investigadores ainda não sabiam se existiam outros fatores no organismo que influenciavam este processo.  
 

Para excluir esses fatores, os investigadores do CeMM, na Áustria, desenvolveram linhas celulares alfa e beta e isolaram-nas do seu ambiente. Verificou-se que a ausência do Arx era suficiente para fornecer identidade às células alfa e que não eram necessários outros fatores.
 

Posteriormente os investigadores testaram o efeito de vários fármacos, já aprovados, nas linhas celulares desenvolvidas. O estudo apurou que as artemisininas, um grupo de fármacos utilizados no tratamento da malária, tinham o mesmo efeito que a perda do Arx. Deste modo, as artemisininas transformam as células alfa em células semelhantes às células beta produtoras de insulina.
 

As artemisininas modificam as células alfa através da ligação a uma proteína, a gefirina. Esta proteína ativa os recetores GABA, que são como que interruptores centrais da sinalização celular. No final de uma longa cadeia de reações bioquímicas, os recetores GABA desencadeiam a produção de insulina.

 

Stefan Kubicek refere que apesar de o efeito a longo prazo das artemisininas necessitar de ser testado, acredita que a descoberta deste grupo de fármacos e do seu modo de ação pode ser a base de uma nova terapia para a diabetes tipo 1.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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