Diabetes: como afeta o coração?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

28 novembro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores confirmou que o aumento dos níveis de glucose associados à diabetes causa uma inflamação específica que afeta diretamente o coração. O estudo publicado na revista “Nature Communications” sugere que este processo pode ser revertido com dois fármacos promissores.
 
Os problemas cardíacos são responsáveis por 65% das mortes relacionadas com a diabetes. Neste estudo, os investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, em colaboração com cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, da Universidade do País Basco, em Espanha, da Universidade de La Plata, na Argentina, e da FIOCRUZ e UNICAMP, no Brasil, decidiram investigar este processo, tendo causado diabetes em ratinhos controlo e em ratinhos incapazes de produzir um tipo específico de inflamação relacionada com a produção da IL-1-beta.
 
O estudo apurou que os dois grupos de animais apresentavam um aumento similar nos níveis de glucose, mas apenas os ratinhos controlo apresentavam um ritmo cardíaco alterado. Adicionalmente, verificou-se que os animais que não produziam a IL-1-beta sofriam muito menos de arritmias, mesmo quando estavam sob o efeito de cafeína ou dobutamina, fármacos que promovem a taquicardia ventricular. 
 
Os investigadores verificaram que havia uma grande quantidade de IL-1-beta em circulação, especialmente no coração dos ratinhos diabéticos de controlo. Observou-se também que a IL-1-beta alterou a função cardíaca quando administrada nos corações de ratinhos sem diabetes ou em células cardíacas humanas. 
 
Posteriormente, os investigadores testaram com sucesso dois fármacos que inibem especificamente este processo inflamatório, o MCC-950 e o anakinra. O primeiro bloqueia a produção da IL-1-beta, enquanto o segundo impede que esta interleuquina tenha efeitos ativos nas células do organismo. Na verdade, este último já está a ser utilizado no tratamento de algumas doenças autoimunes, como é o caso da artrite reumatoide. Os investigadores conseguiram reverter as alterações cardíacas nos ratinhos diabéticos.  
 
Emiliano Medei, líder do estudo, refere que a inflamação é uma ferramenta importante para combater as infeções, que termina habitualmente quando o intruso é removido. No entanto, no caso da diabetes não há infeção, mas a hiperglicemia persistente estimula o sistema imunitário a produzir uma inflamação constante, com uma grande produção de IL-1-beta.
 
O investigador acredita que estas novas ferramentas terapêuticas são bastante promissoras no tratamento da doença cardíaca causada pela diabetes. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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