Dia Internacional da Consciencialização para a Gaguez

Associação Portuguesa de Gagos chama a atenção deste problema

22 outubro 2013
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A gaguez afeta 100 mil portugueses e provoca por vezes “traumas profundos” ainda que pouco visíveis. No do Dia Internacional da Consciencialização para a Gaguez, a Associação Portuguesa de Gagos (APG) chama a atenção para o “iceberg” que é a questão da gaguez, onde as dificuldades na fala são só a face visível de problemas muito maiores, que levam pessoas gagas a isolarem-se dos outros.
 

“Há sempre algum sofrimento. Há os que conseguem lidar com isso, mas outros sofrem bastante, e não pelo grau de gaguejo”, revelou à agência Lusa, Brito Largo, terapeuta da fala no Centro Hospitalar de Coimbra e professor na Escola Superior de Tecnologia de Saúde do Porto, fala do sofrimento que pode ser para alguns pedir um simples café ao balcão de uma pastelaria.
 

É contra isso que a APG luta. Daniel Neves Costa, sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, faz também parte da direção da Associação. “Conheço pessoas com um sofrimento gigantesco mesmo tendo uma pequena gaguez”, com pânico em falar, com perda de autoestima, colocando-se mesmo à margem da sociedade, diz à agência Lusa.
 

Numa altura em que arranjar um emprego é difícil, é-o ainda mais para os gagos, acrescenta o responsável, explicando que à gaguez se associa muitas vezes “falsas ideias” de nervosismo, timidez, ansiedade, atrapalhação, falta de confiança e menos inteligência. “Criam-se imagens distorcidas e numa situação de entrevista pode ser fator de exclusão”, alerta.
 

Daniel Neves Costa refere também que ser gago não é, nem pode ser impeditivo de nada, e nem a gaguez deve de ser escondida. O ator Colin Firth demonstrou-o na perfeição quando interpretou o rei inglês Jorge VI, que conseguiu vencer o problema no filme “O discurso do Rei”, lembrou.
 

De acordo com Brito Largo, os gagos falam melhor quando estão sozinhos, pelo que há uma parte psicológica que não pode ser esquecida. O melhor numa conversa, diz, é o gago começar por assumir o problema na fala e quem o ouve também não finja que nada se passa. Mas este é também um “problema” social.
 

Este é de facto um problema, de alteração estrutural a nível cerebral, e sem cura. Mas pode ser minimizada a dificuldade na fala como também a nível psicológico, ajudando as pessoas a viver melhor, diz Brito Largo, que acrescenta: “a intervenção terapêutica tem técnicas na fala mas também impacto no aspeto psicológico e social”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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