Dez por cento da população mundial tem dificuldades de fala

A média de terapeutas da fala é de um por cada 12.500 habitantes em Portugal

14 novembro 2001
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Hoje comemora-se o Dia Europeu do Terapeuta da Fala. Trata-se de uma profissão desenvolvida essencialmente nos últimos anos do século XX e, por isso mesmo, ainda pouco divulgada junto dos cidadãos. Sabe-se, no entanto, que cerca de 10 por cento da população mundial sofre de perturbações ao nível da comunicação, em sequência de vários factores: gaguez, deficiências motoras ou auditivas, laringectomizados, afásicos, etc.
 

 

Os dados são da Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala (APTF), cujos profissionais começaram a aparecer em Portugal no início dos anos 60, quando surgiram os primeiros cursos superiores. Ainda de acordo com a APTF, a média de terapeutas da fala existentes em Portugal é apenas de um por cada 12.500 habitantes, um número muito abaixo da média europeia, em que um terapeuta "cobre" 6880 habitantes, segundo dados de 1998.
 

 

O que é, afinal, um terapeuta da fala? "É o profissional de saúde responsável pelo diagnóstico e tratamento de qualquer alteração da comunicação humana, quer esta se verifique ao nível da voz, da articulação, da fala ou da linguagem", explica Isabel Monteiro, presidente da Delegação do Norte da APTF. Estes profissionais devem proporcionar um "acompanhamento em diferentes etapas da vida das pessoas, não havendo, portanto, uma actuação parametrizada cronologicamente". Ou seja, um terapeuta da fala "atende um leque muito variado de situações desviantes ao nível da comunicação, assim como um leque variado de idades".
 

 

Comecemos, por isso, pelas crianças. Quando é que uma criança demonstra precisar de um terapeuta da fala?
 

 

"Quando evidencie dificuldades de comunicação ou socialização, porque apresenta os mais diversos problemas da fala que podem ir de um simples 'falar mais tarde e com muitas trocas de sons', até crianças que se mostrem incapazes de comunicar oralmente e necessitem de meios alternativos de comunicação". Isabel Monteiro aponta ainda as "crianças que são portadoras de deficiências que impliquem alterações ou sequelas a nível da fala e linguagem", bem como as que sofrem "de surdez, trissomia XXI e outras síndromes, alterações neuromotoras, fenda do palato e do lábio ou autistas".
 

 

Quanto aos adultos, "os casos que maioritariamente são atendidos reportam-se a pessoas com alterações da qualidade de voz por mau uso vocal ou ainda por lesões existentes nas cordas vocais, pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral e ficaram com afasia e outras sequelas do foro neurológico que influenciam a sua capacidade motora para falar". Acrescente-se a estas aquelas que "necessitam de reaprender a falar, após terem sofrido uma laringectomia (ablacção total ou parcial da laringe por cancro), assim como todas as alterações de fala e linguagem que possam estar a associadas ao processo de envelhecimento e às doenças de Parkinson e Alzheimer".
 

 

A gaguez é, tanto em crianças como adultos, um motivo que leva geralmente muitas pessoas ao encontro de um terapeuta da fala. Este pode ser encontrado nos hospitais (em seviços de Medicina Física e Reabilitação, de Otorrinolaringologia, Neurologia e Neonatologia) ou em algumas escolas regulares e de ensino especial.
 

 

Mas é nos consultórios privados, nas clínicas e nos centros de atendimento psicopedagógico que a maioria dos terapeutas da fala exerce a sua profissão. Nestas circunstâncias, a tabela de honorários proposta pela APTF é de dez mil escudos para a primeira consulta e de seis mil para as seguintes.
 

 

Para que conste, se algum dia necessitar de um terapeuta da fala pode recorrer aos telemóveis 918440443 (APTF), 916751255 (Delegação do Norte) ou ainda pelo e-mail aptf@aeiou.pt.
 

 

Fonte: Público

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