Deveriam ser criados centros de referência para a Esclerose Lateral Amiotrófica

Defende investigadora da Universidade de Lisboa

21 abril 2016
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Uma investigadora da Universidade de Lisboa defendeu a criação de centros de referência para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurológica degenerativa, progressiva e de difícil diagnóstico, que afeta cerca de 800 pessoas em Portugal. 
 
“Não é fácil diagnosticar esta doença, muitas vezes chega a demorar um ano, porque os sintomas não são logo muito evidentes e podem ser causados por outras patologias”, disse à agência Lusa a investigadora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
 
Dora Brites referiu que se o médico não estiver bem informado acerca da doença, o diagnóstico da mesma pode ser também mais difícil, visto que esta tem várias causas. Na sua opinião deveria haver “centros de referência em Portugal onde o clínico, por suspeita de se poder tratar de uma doença do foro neuromuscular, pudesse enviar os doentes com alguma brevidade para poderem ser acompanhados numa consulta de especialidade”.
 
“É uma doença muito desgastante” e “os familiares são postos perante um problema que não têm como resolver, não há locais específicos para os apoiar”, adiantou.
 
A doença manifesta-se muitas vezes por dificuldade em segurar objetos, dormência e dificuldade na fala. Posteriormente há um enfraquecimento dos músculos, dificuldades na deglutição e insuficiência respiratória, a principal causa de morte na ELA.
 
“Há muitos casos em que a deterioração é muito notória. É impressionante ver uma pessoa que contactamos e que aparentemente está quase bem e em seis meses passa para uma cadeira de rodas e começa a não conseguir falar", contou a investigadora. 
 
A maioria das pessoas nunca ouviu falar da ELA, a doença que matou o músico Zeca Afonso e paralisou o físico Stephen Hawking e que foi alvo, no verão de 2104, da campanha mundial do balde de água fria para angariar fundos para os doentes.
 
Apesar de os portugueses terem aderido ao desafio, “a sociedade não conhece a doença”, disse Dora Brites, que lidera um projeto de investigação, que venceu o Programa de Investigação Científica da ELA, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
 
O objetivo da equipa liderada por Dora Brites é identificar e caracterizar os fatores que levam à toxicidade celular e à consequente morte das células neuromotores. 
 
“O que se pretende hoje em dia é descobrir, o mais possível, os alvos, os locais em que alguma coisa corre mal e porque é que corre mal, e tentar usar células nervosas dos próprios doentes” para tentar travar ou prevenir a progressão da doença, que tem uma sobrevida entre três a cinco anos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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