Deve ou não falar-se dos traumas

Cientistas dizem que muitas vezes é melhor ignorar factos traumáticos

04 junho 2003
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Ao contrario do que se pensa, ignorar um trauma pode ser muito mais saudável do que falar sobre o assunto. Segundo um grupo de cientistas israelitas, que se basearam na análise de diversos estudos, o stress pós-traumático sofrido pela população norte-americana após os ataques de 11 de Setembro de 2001 sugere que o melhor seria abafar esses sentimentos.
 

 

O estudo publicado na revista Psychosomatic Medicine mostra que um estilo mais reservado pode promover a normalização depois de um stress traumático, tanto a longo quanto a curto prazo.
 

 

A equipa liderada por Karni Ginzburg, da Escola de Serviço Social Bob Shapell, na Universidade israelita de Telavive analisou 116 pacientes hospitalizados na sequência de um ataque cardíaco. Estes pacientes também sofriam de crises nervosas por terem escapado por pouco da morte. Os investigadores compararam-nos a 72 pessoas que não tinham sofrido nenhum tipo de problema cardíaco. «O problema no coração, que tem o significado simbólico da essência do ser humano, pode perturbar a sensação de segurança e totalidade do paciente», afirmou Karni Ginzburg.
 

 

Os pacientes foram submetidos a testes de distúrbio de stress grave, que tentam verificar sintomas como angústia, lembrança do trauma, dificuldade de realizar tarefas quotidianas, insónia e falta de concentração.
 

Este distúrbio é denominado por síndroma de stress pós-traumático e verifica-se caso os sintomas durem seis meses ou mais, e o paciente foi re-analisado sete meses depois.
 

 

Os participantes do estudo também responderam a questões sobre a maneira de lidar com o trauma, se ignoravam a tensão ou tendiam a viver com a situação na cabeça. As pessoas mais propensas a ignorarem o trauma tinham níveis menores do distúrbio do stress pós-traumático, apontaram os cientistas.
 

 

Muitos investigadores fizeram estudos sobre como lidar com o stress e os resultados foram controversos. Mas Ginzburg e os seus colegas citaram estudos que sugeriram que se o paciente não vai muito longe com a recusa do facto, a repressão- tornar o facto inconsciente- pode funcionar melhor. «Estudos anteriores dizem que os “repressores” tendem a ver-se como competentes, controlados e com habilidades adequadas para superar o trauma», destacou o cientista.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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