Detetada neurotoxina em bivalves da Ria Formosa e Aveiro

Estudo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera

23 junho 2014
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Foi pela primeira vez detetada uma neurotoxina associada à doença neurodegenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica em bivalves da Ria Formosa e da Ria de Aveiro.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que a neurotoxina em causa, a BMAA, foi identificada "em níveis significativos" em berbigão e mexilhão, mas os investigadores desconhecem, ainda, o real impacto na saúde humana, para serem tomadas medidas cautelares.
 

Um dos investigadores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Pedro Reis Costa referiu à agência Lusa que será importante continuar o estudo para "avaliar o risco de consumo de bivalves contaminados com BMAA".
 

De acordo com Pedro Reis Costa, que se tem dedicado à investigação da transferência de biotoxinas na cadeia alimentar marinha, "não há, para já, estudos suficientes que possam indicar o nível de BMAA que afeta o desenvolvimento da Esclerose Lateral Amiotrófica, isto apesar de haver vários estudos que comprovam a neurotoxicidade de BMAA tanto em vivo como 'in vitro'".
 

A neurotoxina BMAA, agora detetada em Portugal, já tinha sido identificada noutros países, nomeadamente, na Suécia, em França, nos Estados Unidos e na África do Sul.
 

Uma vez que foi encontrada a presença da BMAA em bivalves da Ria Formosa e da Ria de Aveiro, a equipa do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, em colaboração com o Departamento de Botânica da Universidade de Estocolmo, quer saber em que alturas do ano ocorre mais, quais as espécies de microalgas que as produzem, bem como "a dinâmica de acumulação e eliminação" da neurotoxina "nos moluscos bivalves".

 

Neurotoxinas como a BMAA são, como explicou Pedro Reis Costa, "toxinas que têm como alvo o sistema nervoso, impedem que os neurónios comuniquem entre si de forma eficaz". No caso da BMAA, está associada à Esclerose Lateral Amiotrófica, cuja "maioria dos pacientes morre no prazo de três anos quando deixa de poder respirar ou engolir", referiu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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