Detetada cronologia de forma rara de Alzheimer precoce

Estudo divulgado na publicação “New England Journal of Medicine”

16 julho 2012
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Alterações nos compostos encontrados no líquido cefalorraquidiano podem identificar uma forma rara de Alzheimer 25 anos antes da manifestação da doença, conclui um estudo publicado na “New England Journal of Medicine”.

 

No âmbito de uma parceria de investigação internacional denominada Dominantly Inherited Alzheimer’s Network (DIAN), cientistas da Washington University School of Medicine, nos EUA,avaliaram um conjunto de marcadores pré-sintomáticos da doença de Alzheimer em 128 indivíduos de famílias com predisposição genética para desenvolver a doença. Os participantes neste estudo possuíam uma probabilidade de 50% de herdar uma de três mutações que dão origem à doença de Alzheimer, numa idade anormalmente precoce (por volta dos 30, 40 ou 50 anos de idade).

 

Através dos antecedentes clínicos dos pais dos indivíduos, que foram utilizados para estimar a idade em que os primeiros sintomas da doença se iriam manifestar nos participantes do estudo, os cientistas conseguiram estabelecer uma cronologia das alterações cerebrais que conduzem à perda de memória e declínio cognitivo que caracterizam a Alzheimer. Os investigadores descobriram que a alteração mais precoce, a queda dos níveis do principal componente das placas senis da Alzheimer – a proteína beta-amiloide – no líquido cefalorraquidiano, pode ser detetada com 25 anos de antecedência em relação aos primeiros sintomas.

 

As placas podem ser detetadas através de TAC 15 anos antes da ocorrência dos sintomas. Com a descoberta destes novos marcadores poderá ser possível tratar a doença mais cedo, prevenindo inclusivamente a formação das placas.

 

O estudo apurou ainda que o aumento dos níveis de tau, uma proteína presente nas células cerebrais, no líquido cefalorraquidiano e a redução das estruturas cerebrais ocorrem 15 anos antes dos sintomas da Alzheimer aparecerem. Foi também verificado que a diminuição da utilização de açúcar por parte do cérebro, assim como os problemas de memória surgem 10 anos antes dos primeiros sintomas se instalarem.

 

Randall Bateman, líder do estudo, refere que “Há uma série de alterações que têm início no cérebro décadas antes dos sintomas da doença de Alzheimer serem detetadas pelos pacientes ou suas famílias, e esta cadeia de eventos pode fornecer uma cronologia do início dos sintomas.” “À medida que formos aprendendo mais acerca das origens da Alzheimer para planear tratamentos preventivos, esta cronologia da Alzheimer será fundamental para testes bem-sucedidos com fármacos”, acrescentou.

 

Greg Cole, diretor adjunto do Alzheimer’s Disease Research Center da University of California, nos EUA, alerta que pode demorar alguns anos até que os achados deste estudo sejam colocados em prática para o tratamento e prevenção de Alzheimer com início tardio.

 

Apesar de ser possível observar o desenvolvimento da doença com mais de uma década de antecedência em relação aos primeiros sintomas, as principais questões são: como poderá a doença ser travada e com que antecedência será necessário intervir? “Estas são questões muito dispendiosas, morosas e sujeitas a um processo de tentativa-erro”, acrescenta Cole.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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