Detectar priões "indetectáveis"

Novo método de detecção dos agentes responsáveis pela BSE e variante humana apresentado na revista "Nature"

19 junho 2001
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Os priões são responsáveis por doenças como a BSE, vulgarmente conhecida pela Doença das Vacas Loucas, e a correspondente humana, a variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD).  

 

Ambas são encefalopatias espongiformes, cujo nome deriva do facto do cérebro ficar com uma consistência "esponjosa". Estes agentes infecciosos são únicos uma vez que, ao contrário das bactérias ou vírus, não integrarem qualquer material genético.  

 

Os cientistas continuam a trabalhar no sentido do entendimento da doença, pois ainda pouco se sabe sobre o modo de acção destes agentes infecciosos.  

 

Um grande problema com este tipo de infecção é o facto de ser muito difícil detectá-la. Um diagnóstico 100% seguro de vCJD só pode ser dado, actualmente, após a morte do indivíduo.  

 

Publicado na edição desta semana da Nature vem um artigo que descreve um novo método em desenvolvimento para a detecção de concentrações mínimas de priões que pressupõe a amplificação de uma amostra e que permite antever o aparecimento de testes sanguíneos simples.  

 

Os priões são proteínas que podem existir em duas formas principais: a forma PrpC, normal, e a forma infecciosa PrpSc. Os priões replicam-se da seguinte forma: quando formas infecciosas PrpSc entram em contacto com formas normais PrpC no cérebro fazem com que estas se transformem também na forma infecciosa PrpSc. Estes agregados acabam por formar placas insolúveis no cérebro responsáveis pelos sintomas físicos da doença.  

 

Para desenvolver este novo método de detecção, os cientistas decidiram explorar este mecanismo de replicação dos priões e juntaram a uma amostra com concentrações mínimas, indetectável, de priões e juntaram a tecido cerebral saudável de rato. O processo de transformação das proteínas saudáveis em agentes infecciosos leva tempo, mas os cientistas descobriram uma forma de acelerar o processo: submetendo a amostra a ondas sonoras. Com ciclos de emissão de ondas sonoras os investigadores conseguiram amplificar largamente a amostra de priões para níveis detectáveis de forma simples.  

 

No entanto, há ainda muito a ser investigado antes que o método possa ser convertido num teste sanguíneo: saber se o sangue contem priões, se os priões produzidos por esta técnica são infecciosos e não os normais, bem como se esta técnica pode ser aplicada a outras espécies.  

 

Helder Cunha Pereira  

MNI - Médicos Na Internet  

 

Fonte: Nature

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