Detectados carcinógenos presentes na comida

Compostos tóxicos passíveis de causar cancros foram detectados quase acidentalmente em géneros alimentares

01 julho 2001
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Químicos tóxicos que podem provocar cancro estão a infiltrar-se na comida com maior frequência e em níveis superiores aos que alguém pensava. E o pior é que não há nenhuma monitorização sistemática dos produtos alimentares de forma a proteger os consumidores.
 

 

Esta preocupação emergiu quando foram testadas mais de 20 mil amostras de géneros alimentares na Bélgica, por causa de um escândalo que ocorreu em 1999, e descobriu-se que 4% das amostras continham níveis altos de bifenis policlorinatados (BPC). Alguns dos ovos testados chegavam a ter níveis idênticos aqueles que provocaram o tal escândalo.
 

 

Em 1999 descobriu-se na Bélgica que 50 quilos de óleo para transformador já envelhecido contendo BPCs foi adicionado a 500 toneladas de rações animais, nomeadamente comida para galinhas. Estes compostos mataram muitas galinhas e provou-se existir um aumento da probabilidade de desenvolvimento de cancros se consumidos pelos humanos.
 

 

Um estudo foi feito por cientistas belgas - que usaram dados estatísticos oficiais para calcular os níveis de BPCs - que verificaram que a população daquele país carrega consigo o aumento no risco de desenvolvimento de doenças associadas, nomeadamente cancros. Com base nos casos de cancro que apareceram após o incidente de 1999, os autores sugerem que irão ocorrer uns 546 a 8316 casos "extra" de cancro. Se estes cálculos forem correctos os níveis de BPCs e dioxinas presentes no leite materno podem ser suficientemente altos para provocar problemas de metabolismo da vitamina K em bebés causando hipotiroidismo, hemorragias e irregularidades imunológicas.
 

 

O que acontece, segundo os investigadores, é que está a ocorrer uma contaminação não controlada dos produtos alimentares. E esta situação pode estar a acontecer um pouco por toda a Europa. A União Europeia não fabrica BPCs desde 1980. Em Maio, a UE baniu-os completamente, quando os estados assinaram o Tratado de Poluentes Orgânicos Persistentes. No entanto, milhares de toneladas destes compostos tóxicos encontram-se ainda em desperdícios e equipamento contaminado.
 

 

Apesar de alguns autores não considerarem haver perigo neste novo aumento de exposição, esperando apenas que os níveis subam para valores já anteriormente encontrados e que mais tarde foram controlados, a equipa belga acredita que há razões para alarme.
 

 

A semana passada a Food Standards Agency britânica anunciou ter encontrado níveis elevados de BPCs em ovos numa quinta em Anglesey. Mas tudo isto foi encontrado por mero acaso. A agência só descobriu porque estava a examinar os níveis de dioxina nas fornalhas usadas para queimar os animais contaminados com a febre aftosa.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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