Desvendado mecanismo de cópia celular

Estudo publicado na revista “Current Biology”

23 maio 2016
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Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC Portugal) descobriu o mecanismo através do qual as células fazem uma cópia das estruturas que são transmitidas a cada uma das células filhas, revela um estudo publicado na revista científica “Current Biology”.
 

Quando uma célula se divide, as suas estruturas têm de ser duplicadas para que cada nova célula receba os componentes certos e se assemelhe à célula inicial. No interior das nossas células existem pequenas estruturas, denominadas centríolos, que controlam tanto a divisão celular como a mobilidade. O número destas estruturas na célula é altamente controlado, sendo que desvios a este estão frequentemente associados a infertilidade, microcefalia e cancro.
 

Embora já se saiba bastante sobre a regulação da duplicação do material genético, o mecanismo pelo qual a célula garante que os centríolos são copiados apenas uma vez permanecia ainda um mistério.
 

Nesse âmbito, uma equipa internacional de investigadores liderados por Mónica Bettencourt-Dias focou-se numa proteína recentemente identificada como estando implicada na formação dos centríolos: a PLK4.
 

De acordo com os investigadores, a PLK4 apenas opera antes da formação dos centríolos – e não noutro momento qualquer – para que o número certo de centríolos seja formado no momento exato.
 

Os cientistas questionaram então o que estaria a prevenir que a PLK4 atuasse noutras alturas.
 

"Através de estudos moleculares e bioquímicos, descobrimos que uma proteína-chave do relógio da divisão celular, CDK1, inibe a atividade de PLK4 através do rapto do seu parceiro (STIL). Como consequência, PLK4 só pode começar a formar centríolos num período específico do ciclo celular, quando CDK1 não está presente", explica Zitouni Sihem, coprimeira autora do estudo, numa nota da IGC Portugal divulgada no seu sítio da Internet.
 

Desta forma, os cientistas perceberam de que forma dois eventos que se sabia estarem sincronizados – o relógio do ciclo celular e a formação de centríolos – comunicam entre si para se coordenarem e garantirem, assim, que as células filhas sejam iguais às células mães.
 

“Nós sabíamos que o relógio do ciclo celular e a formação de centríolos tinham que estar interligados, caso contrário como é que as células garantiam que se formava o número certo de cópias?”, revela Mónica Bettencourt-Dias. “Este é o primeiro elo de ligação que mostra a forma como a maquinaria do ciclo celular regula o gatilho da biogénese dos centríolos, garantindo que o número certo de centríolos se forma na altura certa, o que é fundamental para o normal funcionamento da célula", afirma.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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