Desreguladores endócrinos: critérios de identificação difíceis de colocar em prática

Defende a associação ambientalista Zero

17 junho 2016
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Os critérios propostos pela Comissão Europeia para a identificação de substâncias químicas que podem interferir com o sistema hormonal são difíceis de pôr em prática, defende a associação ambientalista Zero.
 

“O nível de prova necessário para classificar uma substância como um desregulador endócrino é de tal modo elevado que tal só será possível quando os impactos na saúde e no ambiente forem já uma realidade", refere a Associação Sistema Terrestre Sustentável – ZERO.
 

Segundo a notícia avançada pela agência Lusa, a Comissão Europeia apresentou na semana passada um conjunto de critérios científicos para identificar as substâncias químicas que provocam, ou podem provocar, alterações hormonais (os desreguladores endócrinos) e que estão presentes nos pesticidas e nos biocidas.
 

A Associação ZERO, liderada por Francisco Ferreira, considera que a proposta apresentada "terá consequências nocivas para a saúde humana e para o ambiente".
 

"A abordagem proposta é inconsistente e incoerente com a estratégia de identificação por níveis aplicável a outras categorias de substâncias, como as carcinogéneas, mutagénicas ou tóxicas para a reprodução, tendo em conta o nível de evidência", refere o comunicado ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Os ambientalistas defendem que Portugal, como os restantes países europeus, "têm a oportunidade e a obrigação" de alterar o conteúdo da proposta, tanto no Conselho Europeu como no Parlamento Europeu, respeitando "o consenso científico existente sobre o tema".
 

O sistema hormonal regula funções vitais, como o crescimento, a resposta ao stress, o desenvolvimento sexual, o comportamento, a produção e utilização da insulina, o ritmo do metabolismo, a inteligência ou a capacidade de reprodução.
 

As substâncias que podem interferir com este sistema, explica a Zero, podem ter impacto em doenças como o cancro, a diabetes, as doenças cardiovasculares, a obesidade ou a infertilidade e "cujos custos anuais estimados para a UE são na ordem dos 158 mil milhões de euros".
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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