Desregulação do ritmo circadiano associado a obesidade, diabetes e doença cardíaca

Estudo publicado na revista “Current Biology”

27 fevereiro 2013
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A desregulação do ritmo circadiano pode conduzir não apenas à obesidade, como também ao aumento do risco de diabetes e doenças cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “Current Biology”.
 

“O nosso estudo confirma que o importante para um estilo de vida saudável não é apenas o que se come e quanto se come, mas as horas a que são ingeridos os alimentos são também importantes”, refere, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Shu-qun Shi.
 

Nos últimos anos têm surgido vários estudos que associaram o ritmo biológico a vários aspetos do metabolismo. É genericamente assumido que as variações no metabolismo são causadas pela reposta à insulina. Contudo, até à data ninguém conseguiu demonstrar que a ação desta hormona é regida por um ciclo de 24 horas ou o que acontece quando o ritmo circadiano é interrompido.
 

Como os ratinhos são notívagos eles têm um ritmo circadiano que é o espelho dos humanos: são ativos durante a noite e dormem durante o dia. Por outro lado, os cientistas também constataram que o sistema interno da regulação do tempo é semelhante ao nível molecular entre as duas espécies.
 

O estudo realizado por investigadores da Vanderbilt University, nos EUA, apurou que os tecidos dos ratinhos eram relativamente mais resistentes à insulina durante o seu período inativo, enquanto durante o seu período ativo ficavam mais resistentes a esta hormona e consequentemente com maior capacidade de remover glucose do sangue. Como resultado, a glucose é convertida em gordura durante a fase inativa e utilizada para a produção de energia e construção de tecidos durante a fase ativa. “É por isso que é importante não ingerir alimentos entre o jantar e o pequeno-almoço”, explica, o líder do estudo, Carl Johnson.
 

Os investigadores também analisaram o que ocorria à ação da insulina quando o relógio circadiano dos ratinhos era interrompido. Foi verificado que os ratinhos que não expressavam um dos genes necessários para o normal funcionamento do relógio biológico pareciam ficar presos num modo de resistência à insulina. Após serem alimentados com uma dieta rica em gordura, estes animais tendiam a ganhar mais peso e apresentar mais gordura do que os ratinhos do grupo controlo.
 

Os investigadores também colocaram outro grupo de ratinhos num ambiente luminoso, que afetava o seu ciclo circadiano. Neste caso, os animais permaneciam numa fase inativa e desenvolviam uma proporção maior de gordura ganhando mais peso do que os ratinhos do grupo controlo alimentados com uma dieta rica em gordura. A obesidade e a resistência à insulina que acompanham este possesso aumentam o risco de diabetes e de doenças cardiovasculares.
 

Os autores do estudo referem que estes resultados ajudam a explicar a maior frequência de obesidade e diabetes entre as pessoas que trabalham por turnos ou os indivíduos que interrompem os seus relógios biológicos e padrões de sono.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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