Desporto: Depois do doping...a luta dos genes

Substâncias dopantes podem ser substituídas por novas «armas» genéticas

25 fevereiro 2002
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Até ao momento, o doping tem instalado um verdadeiro mal no desporto mundial, mas novos métodos de engenharia genética podem transformar um atleta medíocre num verdadeiro vencedor...
 

 

Os escândalos de casos de doping já se tornaram quase uma rotina nas competições desportivas modernas. Em Portugal, os últimos meses foram marcados por algumas denúncias de doping. Quim, guarda-redes do Sporting de Braga foi suspenso preventivamente pela Federação Portuguesa de Futebol, depois de ter acusado nandrolona. Outro caso que remonta a 2000 é o de Fernando Couto que levou à suspensão do clube italiano Lazio.
 

 

Também os Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City 2002 – que ontem chegaram ao fim – foram marcados por várias denúncias de fraude desportiva.
 

 

Muelhegg e Latuzina foram apenas dois dos vários desportistas que perderam as posições conquistadas em Salt Lake City, por terem acusado em testes a presença de darbepoeitina, cujos efeitos são idênticos à EPO (eritropoietina).
 

 

Mas muitos cientistas afirmam que as substâncias dopantes – tais como as conhecemos actualmente – destinadas a melhorar a “performance” de um atleta poderão tornar-se num recurso do passado.
 

 

Para alguns especialistas, a resposta poderá ser encontrada na manipulação genética. Segundo os cientistas contactados pela CNN, num período de cinco a 15 anos, os atletas poderão usar a engenharia genética para “ultrapassar” superar seus adversários.
 

 

As técnicas desenvolvidas a partir de estudos com animais na Universidade de Pittsburgh poderiam ser potencialmente empregadas na cura de ferimentos sofridos durante a prática desportiva. Até aqui nada de grave. Mas os cientistas norte-americanos também se dizem capazes de conseguir aumentar o rendimento do atleta.
 

 

Estudos actuais
 

 

Na Universidade de Pittsburgh está em curso um estudo que recorre à injecção de células-estaminais musculares – células que dão origem a outras – destinado a ajudar crianças com distrofia muscular.
 

 

Johnny Huard, do departamento de genética molecular da universidade, explicou a investigação: "O factor de crescimento (como vitaminas ou hormonas) e as células-estaminais que usamos, bem como a terapia genética em que estamos a trabalhar podem ser usados para aumentar a força de um músculo".
 

 

Onde fica o desporto
 

 

Se as experiências forem seguras para humanos, a técnica poderá, num futuro indeterminado, ser empregue para aumentar a força e a resistência do atleta. Mas, caso isso se torne uma realidade, poderão estes desportistas serem igualados aos restantes? Serão integrados em equipas especiais para atletas geneticamente modificados? Ou, pelo contrário, continuarão a querer “enganar” os restantes atletas – tal como acontece com os casos de doping?
 

 

Esta hipotética realidade suscita novas questões perturbadoras para as autoridades desportivas. Larry Bowers, da Agência Antidoping dos Estados Unidos já tem uma opinião formada: "A engenharia genética apresentará alguns problemas espinhosos para o desporte, por ser difícil - se não impossível - de detectar", disse.
 

 

O cirurgião ortopédico Freddie Fu, da mesma universidade, concorda com este argumento. "Será um jogo totalmente novo", afirma.
 

 

Isso porque actualmente, para se detectar uma musculatura geneticamente modificada, seria necessária uma biópsia do tecido - o que não é uma hipótese viável para um atleta prestes a participar de uma competição.
 

 

Duas faces da moeda
 

 

Os avanços científicos trazem sempre duas realidades bem diferentes. Se esta nova técnica, estudada pela Universidade de Pittsburgh poderá ajudar crianças ou adultos com problemas graves, por outro lado, estes novos métodos também poderão ser utilizados – de modo pouco escrupuloso -para retirar dividendos a quem faz do desporto uma profissão rentável. São se
 

 

Por tal, cientistas e especialistas também se dedicam à investigação de formas de facilitar essa detecção que consistem em «encontrar» no sangue do atleta bioprodutos dessas células-estaminais e factores de crescimento que, talvez, possam ser encontrados no sangue.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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