Desenvolvimento promissor de vacina contra febre da carraça

Estudo publicado em “The Lancet Infectious Diseases”

16 maio 2013
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A vacina contra a doença de Lyme, mais conhecida como febre da carraça, poderá ser em breve uma realidade após o sucesso obtido na fase II do ensaio clínico para a mesma.
 

A doença de Lyme é uma patologia infeciosa causada pela bactéria Borrelia burgdorferi. A doença é geralmente contraída através de carraças Ixodes dammini infetadas, podendo causar os seguintes sintomas: erupções cutâneas, dores de cabeça, febre e depressão. Esta doença é muitas vezes ignorada e não merece a devida atenção e tratamento, conduzindo existem complicações não negligenciáveis.
 

Relatórios recentes indicam que a ocorrência da doença está a aumentar. Um estudo conduzido no Reino Unido em 2012 demonstrou que o risco de infeção com a  bactéria causadora doença de Lyme é muito maior do que se pensava. É portanto essencial que se adotem os devidos cuidados para que a população se proteja da doença.
 

Conduzido por uma equipa de investigadores da Stony Brook University School of Medicine e do Brookhaven National Laboratory, EUA, o ensaio clinico incidiu sobre uma amostra constituída por 300 pessoas residentes na Alemanha e na Áustria. A equipa analisou a segurança e o potencial de resposta imunitária da vacina através de uma variedade de doses nos participantes que receberam três doses iniciais e um reforço.
 

A tecnologia utilizada no desenvolvimento da vacina baseou-se na utilização da proteína mais proeminente da superfície exterior da Borrelia, a bactéria causadora da doença de Lyme na Europa e EUA, quando esta se encontra presente nas carraças. Através da utilização da estrutura desta proteína, conhecida como OspA, os especialistas obtiveram, através de técnicas de bioengenharia, proteínas específicas de OspA não existentes na natureza.
 

As novas proteínas de OspA, denominadas proteínas quiméricas ou de fusão, contêm diversos componentes de diferentes espécies de Borrelia. Os resultados dos ensaios revelaram que todos os tipos e doses da vacina administrada resultaram em anticorpos eficazes contra todas as espécies de Borrelia. As reações adversas causadas pela vacina foram maioritariamente leves, não se tendo verificado qualquer episódio grave relacionado com a mesma.
 

A equipa espera agora que a fase III dos ensaios clínicos “demonstre não só uma forte resposta imunitária, como também uma verdadeira eficácia numa amostra alargada da população que ilustre a proteção contra a doença de Lyme”.
 

Recomenda-se a adoção dos seguintes cuidados para prevenir a doença de Lyme: evitar áreas de bosque e de arbustos que tenham erva alta, utilizar repelente de carraça nas áreas do corpo expostas e vestuário de mangas compridas, calças e meias, verificar a pele e roupa com regularidade, utilizar acaricida em casa para eliminar eventuais carraças e prestar particular atenção nos meses de abril a setembro.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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