Desenvolvimento de proteína beta-amiloide bloqueado em ratinhos

Estudo publicado na “PLOS ONE”

05 maio 2015
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Uma equipa de investigadores identificou compostos que conseguem bloquear a produção de péptidos beta-amiloides em ratinhos. 
 
Os novos compostos, denominados P8, foram descobertos por investigadores da Escola de Medicina de San Diego, da Universidade da Califórnia, e da empresa Cenna Biosciences, EUA. Se puderem ser aplicados a humanos serão muito promissores na abordagem da doença de Alzheimer, podendo ser administrados a pacientes com um risco muito elevado de desenvolver a doença, muito antes de estes apresentarem sinais de demência.
 
“Estamos a bloquear a própria produção de beta-amiloide de uma nova forma. Isto é muito promissor porque significa que em princípio podemos bloquear a doença”, avança Naznee Dewji, professora adjunta no Departamento de Medicina daquela universidade e autora principal do estudo. “ A nossa abordagem é completamente diferente de qualquer uma das abordagens atuais que incidem sobre a beta-amiloide”, continua.
 
Atualmente, considera-se que a acumulação de placas de proteína beta-amiloide causa danos irreversíveis no cérebro, provocando incapacidades cognitivas e motoras associadas à doença de Alzheimer. Por isso, a investigação nesta área tem sido largamente focada em enzimas responsáveis pela clivagem da proteína precursora amiloide (PPA).
 
No entanto, os fármacos produzidos têm fracassado nos ensaios porque “essencialmente são responsáveis pela clivagem de outras proteínas para além da PPA. Se se inibir ou alterar a sua atividade surgem muitos efeitos indesejáveis nas células”, explica Naznee Dewji.
 
O composto P8 não atua nas enzimas, mas liga-se à PPA. Ao fazê-lo evita que a proteína maior seja processada em péptidos amiloides mais pequenos. Os compostos são derivados de um fragmento de uma proteína da membrana chamada presenilina 1 que é conhecida por interagir com a PPA na produção de beta-amiloide. 
 
Foram utilizados métodos biofísicos e técnicas de imagiologia ótica para medir a ligação altamente específica entre a PPA e o composto P8.
 
Os ensaios efetuados em ratinhos, manipulados para produzirem grandes quantidades de beta-amiloide, demonstraram que o tratamento com o composto P8 e outro composto denominado P4 durante o período de duas semanas resultou numa média de 50% de redução da acumulação de placa em comparação com os ratinhos que não receberam o tratamento.
 
A autora principal do estudo conclui que “temos uma nova abordagem para o tratamento da Alzheimer que pode travar a produção da beta-amiloide de forma muito precoce e específica”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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