Desenvolvidos espermatozoides funcionais em laboratório

Estudo publicado na revista “Cell Stem Cell”

01 março 2016
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Investigadores chineses desenvolveram espermatozoides funcionais em laboratório que podem um dia ser utilizados para a tratar a infertilidade masculina nos humanos, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Stem Cell”.
 

A infertilidade afeta até 15% dos casais, sendo que cerca de um terço dos casos devem-se a problemas de infertilidade do homem. Uma das causas principais de infertilidade masculina é a incapacidade de as células precursoras germinativas nos testículos serem submetidas a um tipo de divisão celular, denominada meiose, para produzir células de espermatozoides funcionais. Vários estudos têm conseguido produzir, com sucesso, células germinativas a partir de células estaminais, mas não têm conseguido avaliar completamente a funcionalidade das células germinativas ou fornecer provas para todos os critérios fundamentais da meiose.
 

Até à data, a recapitulação de todos os passos essenciais da meiose têm permanecido um importante obstáculo para a produção de espermatozoides funcionais e óvulos em laboratório. De forma a tentar ultrapassar este obstáculo, os investigadores da Universidade de Medicina de Nanjing, na China, desenvolveram um método baseado em células estaminais que preenche todos os critérios da meiose e produz células funcionais semelhantes à dos espermatozoides.  
 

O primeiro passo consistiu na exposição de células estaminais embrionárias a um cocktail químico, que levou as células a transformarem-se em células germinativas primordiais. Posteriormente, os investigadores mimetizaram o ambiente do tecido natural destas células percursoras germinativas expondo-as às células do testículo, assim como a hormonas sexuais como a testosterona.
 

Nestas condições, as células estaminais embrionárias das células germinativas primordiais foram submetidas à meiose completa, o que resultou em células semelhantes à dos espermatozoides com o ADN nuclear e conteúdo cromossómico. De forma a comprovar que o processo da meiose tinha ocorrido corretamente, estas células semelhantes à dos espermatozoides foram injetadas em óvulos de ratinho e os embriões foram transferidos para um ratinho fêmea. Verificou-se que os embriões se desenvolveram normalmente e produziram uma descendência saudável e fértil, que deu origem à geração seguinte.  
 

De acordo com um dos autores do estudo, Jiahao Sha, se estes resultados se mostrarem eficazes e seguros nos humanos será possível produzir espermatozoides funcionais para a inseminação artificial ou técnicas de fertilização in vitro.  
 

“Uma vez que os atuais tratamentos não funcionam para muitos casais, esperamos que esta abordagem possa melhorar substancialmente as taxas de sucesso da infertilidade masculina”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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