Desenvolvido tratamento prometedor para as lesões da espinal medula

Estudo publicado na revista “Nature”

09 dezembro 2014
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Investigadores americanos desenvolveram um composto químico que parece ser bastante prometedor na restauração da função da espinal medula danificada, dá conta um estudo publicado na revista, “Nature”.
 

O composto, ao qual os investigadores da Case Western Reserve, nos EUA, chamaram peptídeo sigma intracelular (ISP, sigla em inglês), permitiu a ativação dos músculos paralisados, incluindo os envolvidos na micção e movimentação, de mais de 80% dos animais testados.
 

Imediatamente após uma lesão do sistema nervoso central, as moléculas conhecidas como proteoglicanos acumulam-se no tecido da cicatriz, no local da lesão e na rede perineuronal (PNN). No tecido saudável, os proteoglicanos são componentes-chave na matriz entre as células e desempenham um papel importante na manutenção da estrutura do sistema nervoso.
 

No entanto, após a lesão, os proteoglicanos  abundam em excesso no tecido cicatricial e nas redes impenetráveis em torno das sinapses no cérebro e na medula espinal. Isto resulta na formação de uma enorme barreira que impede a regeneração e o estabelecimento de novas ligações nervosas.
 

Os investigadores desenharam o peptídeo ISP para desativar o recetor do proteoglicano nos neurónios. Foi também adicionado um transportador para enviar o peptídeo através do sistema nervoso central e das membranas celulares. Assim, o ISP é capaz de penetrar nas membranas, incluindo no local danificado coberto de tecido cicatricial. Uma vez que o ISP é capaz de penetrar no tecido, este pode ser administrado sistemicamente em vez de diretamente na espinal medula.
 

Para este estudo, os investigadores administraram injeções diárias, durante sete semanas, a 26 ratinhos com lesões severas na medula espinal. Durante este período, os animais foram avaliados quanto à sua capacidade de andar, de se equilibrar e controlar a urina. O estudo apurou que 21 dos 26 animais recuperaram uma ou mais das funções logo após o início do tratamento. Alguns animais conseguiram mesmo recuperar as três funções e outros uma ou duas.
 

“Esta é uma descoberta sem precedentes. Para qualquer paciente com lesão da medula espinal seria considerado extraordinário a recuperação de pelo menos uma destas funções, especialmente a função urinária”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jerry Silver.
 

O investigador acrescentou que o ISP tem o potencial de tratar doenças onde o organismo produz cicatrizes destrutivas, tais como no enfarte agudo do miocárdio, lesão do nervo periférico e esclerose múltipla.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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