Desenvolvido tecido de cordas vocais funcionais em laboratório

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

23 novembro 2015
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Investigadores americanos conseguiram desenvolveram, com sucesso, tecido de cordas vocais funcionais em laboratório, um grande passo na restauração da voz das pessoas que perderam a as cordas vocais devido a uma cirurgia oncológica ou outros danos, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

Muitas pessoas têm distúrbios na voz, e muitas têm danos na mucosa das cordas vocais, os tecidos especializados que vibram à medida que o ar passa nelas, dando origem à voz. Apesar de as injeções de colagénio e outros materiais conseguirem ajudar alguns indivíduos durante um curto espaço de tempo, não se pode fazer muito para com aqueles que têm áreas grande das cordas vocais danificadas ou removidas.
 

“A voz é algo de surpreendente, mas não damos a devida atenção até algo correr mal. As nossas cordas vocais são constituídas por um tecido específico que tem de ser suficientemente flexível para vibrar, mas forte o suficiente para baterem conjuntamente centenas de vezes por segundo”, revelou, em comunicado de imprensa um dos autores do estudo, Nathan Welham.
 

No estudo os investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, começaram com tecido das cordas vocais de um cadáver e de quatro pacientes a quem tinham sido removidas as laringes, mas não tinham cancro. As células da mucosa foram isoladas, purificadas e colocadas a crescer. Posteriormente foram coladas numa estrutura de colagénio 3D, similar ao sistema usado para crescer pele artificial em laboratório.
 

Em cerca de duas semanas, a células cresceram juntas para formar um tecido flexível mas forte na parte inferior, e camadas de células epiteliais na parte superior. A análise proteómica demonstrou que as células produziram muitas das proteínas produzidas pelas células das cordas vocais normais. Os testes físicos indicaram que as células epiteliais também começaram a formar uma membrana basal imatura, que ajuda a criar uma barreira contra os agentes patogénicos e substância irritantes nas vias aéreas.
 

De acordo com Nathan Welham, o tecido cultivado era similar ao tecido das cordas vocais e os testes demonstraram que tinha uma viscosidade e elasticidade similares ao tecido normal.
 

De forma a verificar se o tecido era capaz de transmitir som, este foi transplantado num dos lados da laringe de um cão. As laringes foram unidas a traqueias artificiais e foi soprado um ar morno e húmido. Verificou-se que para além do tecido ter produzido som, a imagem digital demonstrou que a mucosa criada vibrou tal como o tecido nativo no lado oposto. A análise acústica também demonstrou que os dois tipos de tecido tinham características de som semelhantes.
 

Por último, os investigadores verificaram que o tecido cresceu e não foi rejeitado quando colocado em ratinhos que tinham sido modificados para terem um sistema imunológico dos humanos.
 

O estudo apurou que o tecido não era tão bom como o real, pois a estrutura da fibra era menos complexa que as cordas vocais dos adultos. No entanto, os autores do estudo referem que isto não é surpreendente uma vez que as cordas vocais dos humanos continuam-se a desenvolver pelo menos ao longo de 13 anos após o nascimento.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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