Desenvolvido projeto de controlo de doenças neurodegenerativas com vitamina C

Estudo publicado na revista "Science Signaling"

13 abril 2017
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Investigadores do Porto identificaram como determinadas células do sistema nervoso captam a vitamina C, um antioxidante que regula a inflamação, com o objetivo de criar ferramentas que controlem o processo neuroinflamatório mais eficazmente em doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.
 
Segundo apurou a agência Lusa, este projeto internacional, liderado pelo i3S da Universidade do Porto, visava definir alguns mecanismos que regulam a função das células da microglia (células de defesa que residem no sistema nervoso) no cérebro adulto.
 
"As células da microglia são responsáveis por várias funções de monitorização neuronal, pela resposta do cérebro ao trauma e à doença" e são estas que captam a vitamina C, através de um transportador que têm na sua superfície, designado SVCT2, explicou o coordenador do projeto, João Bettencourt Relvas.
 
Através dessa monitorização, as células da microglia detetam alterações patológicas, iniciadas após infeção por bactérias ou vírus, ou decorrentes de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla.
 
Dessa forma, "qualquer agressão ao cérebro é prontamente identificada" por essas células que, ao serem "ativadas", "desencadeiam uma resposta inflamatória local que ajuda a restabelecer o normal funcionamento do cérebro", indicou o investigador.
 
Contudo, como refere João Relvas, "se por um lado a inflamação moderada ajuda nos processos regenerativos e de cicatrização, quando se torna crónica pode, ela mesma, levar à destruição das células e à morte dos tecidos, com efeitos dramáticos no caso do cérebro, que estão na base de várias doenças neurodegenerativas".
 
Para o investigador, embora seja "difícil" definir o momento em que a inflamação passa a crónica, existem sinais que identificam essa passagem, como é o caso da permanência da neuroinflamação por períodos de tempo prolongados e, sobretudo, a existência de perdas neuronais e cognitivas associadas.
 
No artigo publicado, cuja primeira autora é a investigadora do i3S Camila Portugal, os especialistas indicam também que para uma boa resposta anti-inflamatória é necessário que a vitamina C já esteja presente quando se inicia a inflamação. Quando não se verifica essa situação, o transportador SVCT2 é "recolhido" pela célula, não adiantando "ingerir mais" vitamina C.
 
Ao compreenderem "melhor" a regulação e a função deste transportador na superfície das células, em situações normais e em situações patológicas, os investigadores esperam criar ferramentas que permitam modular a quantidade do SVCT2 e, assim, controlar o processo neuroinflamatório de forma mais eficaz.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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