Desenvolvido programa pioneiro contra a infertilidade

Estudo da Universidade de Coimbra

22 julho 2014
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Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram um programa pioneiro contra a infertilidade e “provaram a sua eficácia” na melhoria da qualidade de vida das mulheres que vivem esta experiência.
 

Os investigadores do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC, “desenvolveu e testou o primeiro programa baseado no Mindfulness (atenção plena) para a infertilidade (PBMI) do mundo”.
 

De acordo com uma nota da UC, à qual a agência Lusa teve acesso, o programa tem como objetivo melhorar a qualidade de vida e reduzir a ansiedade e depressão das mulheres que vivem a experiência da infertilidade, “por norma dolorosa e traumática”.
 

O Mindfulness é um treino mental que ensina as pessoas a lidarem com os seus pensamentos e emoções, que “muda o relacionamento com a mente, ensina a distinguir o pensamento útil do pensamento inútil ou mesmo prejudicial”, explicou o líder do estudo, José Pinto Gouveia.
 

O Mindfulness é “uma abordagem que evidencia a transitoriedade das emoções”, por isso, “há que as reconhecer e não lutar com elas, porque uma cadeia de pensamentos negativos conduz a uma exaustão de energia e a possíveis quadros clínicos como a depressão”, explicou o investigador.
 

Esta é uma ferramenta “pioneira” de “intervenção psicológica”, tendo o programa gerado “muito interesse junto da comunidade científica internacional”, estando em fase de concretização “parcerias com uma universidade holandesa, um hospital belga e uma clínica de fertilidade da Noruega”.
 

De forma a testar a sua eficácia, o programa baseado no Mindfulness para a infertilidade foi “aplicado em 55 mulheres inférteis, de diferentes idades, a realizar tratamento médico em Lisboa, Porto e Coimbra” e abrangeu um grupo de controlo constituído por 41 mulheres inférteis.
 

Os dois grupos foram sujeitos a uma avaliação psicológica e ambos revelaram elevados níveis de ansiedade e depressão, refere José Pinto Gouveia., No final do programa, composto por dez sessões semanais, foram evidenciadas diferenças significativas entre os grupos, concluiu a investigação.
 

Enquanto as mulheres do grupo de controlo não registaram alterações expressivas em nenhuma das medidas psicológicas, as mulheres submetidas à intervenção diminuíram bastante os níveis de ansiedade e depressão: “aspetos negativos como a vergonha, a derrota ou a autocompaixão e estados de depressão e ansiedade diminuíram muito significativamente”, afirmou a primeira autora do estudo, Ana Galhardo.

 

Assim, “os pensamentos e sentimentos relacionados ao passado doloroso” (o aborto “anterior”, entre outras situações) ou para o futuro (“eu nunca vou ser mãe”, por exemplo) são reconhecidos “sem tentar suprimir ou modificá-los”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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