Desenvolvido penso de hidrogel que se adapta aos movimentos

Estudo conduzido pela Universidade Católica do Porto

20 junho 2017
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Uma equipa de investigadores está a desenvolver um hidrogel fluído, que gelifica no leito da ferida após a sua aplicação, transformando-se num penso uniforme e transparente, com elasticidade suficiente para se adaptar aos movimentos do corpo.
 
Segundo apurou a agência Lusa, Ana Leite Oliveira, investigadora na Universidade Católica, explicou que este hidrogel fluído é constituído por uma proteína à base de seda - sericina - e está a ser concebido para feridas não infetadas e com pouco exsudado.
 
"É importante salientar que esta proteína constitui um resíduo proveniente da indústria têxtil", que é "eliminado durante o desenrolar do casulo por imersão em água quente", processo ao qual se dá o nome de "degomagem", explicou.
 
As feridas complexas, em particular as crónicas, são de "difícil cicatrização", o que representa "um desafio para as equipas clínicas e causa um enorme impacto na qualidade de vida dos pacientes", acrescentou.
 
"Este tipo de feridas pode passar por diversas etapas", adquirindo “diferentes aspetos, tamanhos e profundidades, levando o clínico a ter de improvisar, para adaptar o penso à forma e ao local da ferida já que, comercialmente, os materiais de penso têm formatos limitados", explicou.
 
"A utilização de hidrogéis naturais no tratamento de feridas tem vindo a ser proposta devido à sua biocompatibilidade", à "capacidade de gelificação (contribuindo para a melhor oclusão de feridas e para um fácil preenchimento do defeito)" e à facilidade de incorporação de agentes terapêuticos, tais como células e biomoléculas, referiu.
 
De acordo com a investigadora, a maior parte dos hidrogéis existentes no mercado, designados como amorfos, têm "uma elevada fluidez", necessitando de um penso secundário para serem retidos no leito da ferida.
 
"O total preenchimento do leito da ferida é uma questão importante, evitando o desperdício como acontece com os pensos tradicionais, que têm de ser cortados para melhor se adaptarem", defendeu.
 
Os investigadores acreditam que este produto possa ser adaptado para outros usos, visto que a sericina tem sido "largamente comercializada" na área da cosmética, dadas as suas propriedades antioxidantes e hidratantes, existindo também estudos que demonstram as propriedades antitumorais desta proteína.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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