Desenvolvido organismo com bases de ADN artificiais

Estudo publicado na revista “Nature”

12 maio 2014
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Investigadores americanos criaram uma bactéria cujo material genético inclui um par adicional de “letras” ou bases de ADN que não se encontram na natureza, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

A vida na terra e toda a sua diversidade é codificada por apenas dois pares de bases de ADN, a adenina (A)-timina (T) e a citosina (C)-guanina (G). “O que críamos foi um organismo estável que contém este dois pares mais um terceiro par”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Floyd E. Romesberg.
 

Desde de 1990 que os investigadores do Instituto Scripps, nos EUA, têm tentado encontrar pares de moléculas capazes de funcionar como novas bases de ADN funcionais.
 

Contudo, esta não foi de todo uma tarefa fácil. Para integrarem no ADN, estas novas bases tinham de cumprir vários e exigentes requisitos. Apesar de todos os desafios e obstáculo encontrados, em 2008 os investigadores encontraram pares de moléculas que poderiam ligar-se através do ADN de cadeia dupla, de uma forma idêntica à conseguida com as bases naturais. Foi também demonstrado que estes pares de bases artificiais podiam replicar-se na presença de enzimas adequadas.
 

No entanto, este trabalho foi realizado in vitro. Agora neste estudo os investigadores replicaram estes resultados no interior de uma célula viva, tendo conseguido sintetizar um pedaço de ADN circular (plasmídeo) e inseri-lo dentro de uma bactéria, a Escherischia coli. Este plasmídeo continha assim os dois pares de bases naturais e o constituído pelas duas moléculas artificiais, d5SICS e dNaM. De forma a conseguirem que estas bases sintéticas se replicassem dentro das células, os investigadores recorreram a um gene encontrado em algas.
 

Posteriormente, os autores do estudo conseguiram obter culturas de Escherischia coli que se replicavam com uma rapidez e precisão razoável, não tendo havido sinais de perda das bases artificiais através de mecanismo de reparação do ADN.
 

De acordo com os autores do estudo, agora os investigadores têm de demonstrar que é possível transcrever este novo ADN na molécula a partir da qual as células produzem as proteínas, o ARN. “À partida poderíamos produzir proteínas terapêuticas feitas de aminoácidos artificiais. ”é também possível aplicar este tipo de abordagem noutras aplicações como os nanomateriais, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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