Desenvolvido novo tratamento para o cancro

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

20 fevereiro 2015
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Uma equipa de investigadores desenvolveu um novo método para fazer incidir os fármacos de tratamento de doenças oncológicas sobre o tumor.
 

Desenvolvida por investigadores da Universidade da Carolina do Norte e da Universidade Duke, nos EUA, a técnica denomina-se iontoforese e consiste na emissão de grandes quantidades de quimioterapia em áreas selecionadas, através de um campo elétrico que impele os fármacos para o tumor. Deste modo, é reduzido o risco de danificação do tecido saudável.
 

“Um dos grandes desafios em relação a muitos fármacos é inseri-los onde devem ser inseridos”, afirma Lissett Bickford de Virgina Tech, que participou neste estudo. “Esta tecnologia basicamente força os fármacos a irem diretamente para e através do tumor, permitindo que todas as células cancerígenas da zona de tratamento fiquem expostas ao mesmo”.
 

O campo elétrico é gerado por um minúsculo dispositivo, concebido e construído pelos investigadores, e que contém um reservatório de quimioterapia. Este dispositivo pode ser implantado no tumor ou sob a pele do paciente. Quando é ativado, o campo elétrico empurra o fármaco para o tumor todo, apesar da pressão da área circundante, um fator que complicou outras estratégias de aplicação local de fármacos.
 

Em testes conduzidos sobre ratinhos, a combinação de quimioterapia intravenosa e de quimioterapia por iontoforese fez aumentar o tempo de sobrevida em casos de cancro da mama humano, em comparação com os tratamentos administrados isoladamente. O efeito foi acentuado quando o tratamento foi combinado com radioterapia.
 

A administração de quimioterapia por iontoforese fez também reduzir o tamanho de tumores no pâncreas em ratinhos. Adicionalmente, a administração de quimioterapia local em ratinhos que estavam a receber quimioterapia intravenosa fez aumentar a quantidade de fármaco no tumor, mas quase sem aumento no plasma sanguíneo.
 

Como conclusão, a quimioterapia administrada por iontoforese poderá constituir um auxílio poderoso a outros tratamentos para o cancro.
 

Com a quimioterapia intravenosa apenas uma pequena quantidade de fármaco chega ao tumor. O resto viaja no organismo, produzindo efeitos tóxicos sobre as células saudáveis, o que força muitas vezes os pacientes a pararem ou adiarem o tratamento. Alguns tumores, como o do pâncreas, não estão bem ligados ao sistema circulatório, afetando a eficácia da quimioterapia.
 

Com a administração local de fármacos, torna-se possível o uso de fármacos mais potentes que de outra forma poderiam não ser bem tolerados em altas concentrações sistematicamente.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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