Desenvolvido novo tratamento para a enxaqueca

Estudo norte-americano

05 março 2015
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Um novo tratamento intranasal para o tratamento da enxaqueca, que faz diminuir o recurso a medicamentos analgésicos em 88% dos pacientes, foi apresentado no Encontro Científico Anual da Sociedade Norte-Americana de Radiologia de Intervenção.
 
O novo tratamento, desenvolvido por clínicos do Centro Médico de Albany e da Universidade Estadual New York Empire State College, nos EUA, denomina-se bloqueio intranasal do gânglio esfenopalatino, é minimamente invasivo e guiado por imagem. O gânglio esfenopalatino consiste numa aglomeração nervosa situada atrás do nariz e que está associada ao desenvolvimento de enxaquecas. 
 
O tratamento consiste na administração de lidocaína a 4% através de um cateter inserido nas fossas nasais do paciente. Através desta via é administrada a lidocaína no gânglio esfenopalatino do paciente.
 
Kenneth Mandato, autor principal do estudo, explica como funciona o tratamento: “a administração da lidocaína no gânglio esfenopalatino funciona como um botão de reset para o circuito da enxaqueca no cérebro. Assim que desaparece o efeito de dormência da lidocaína, o fator de desencadeamento da enxaqueca parece perder o efeito máximo que antes exercia. Alguns pacientes reportaram alívio imediato e estão a ir menos vezes ao hospital para receber fármacos de emergência para a enxaqueca”.
 
O médico adianta ainda que os bloqueios no gânglio esfenopalatino “oferecem um tratamento centrado no paciente com o potencial de quebrar o ciclo da enxaqueca e melhorar a qualidade de vida do paciente de forma rápida”.
 
O estudo incluiu uma análise retrospetiva a 112 pacientes com enxaqueca ou cefaleias em salvas. Foi avaliado o grau de severidade das cefaleias nos pacientes, numa escala de 1 a 10. Antes de iniciarem o tratamento o grau de severidade era em média de 8,25. Os graus superiores a 4 ocorriam, normalmente, pelo menos, 15 dias por mês.
 
Um dia após terem sido submetidos ao tratamento, os participantes demonstraram um grau de severidade de cefaleias com uma média de 4,1, ou seja metade do inicial. Um mês após o tratamento o grau de severidade de cefaleias nos participantes situava-se numa média de 5,25, ou seja 36% a menos do que o valor inicial.
 
De um modo geral, após o procedimento, 88% dos participantes passou a utilizar menos medicação ou a não utilizar qualquer medicação para o alívio da enxaqueca.
 
O autor principal do estudo adverte, no entanto, que este procedimento não constitui uma cura para a enxaqueca, mas sim uma solução temporária, tal como outros tratamentos para cefaleias crónicas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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