Desenvolvido novo modelo imunoterapêutico contra o cancro

Estudo publicado na “Nature Medicine”

21 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores conseguiu desenvolver uma nova forma de fortalecer o sistema imunitário no combate à atividade tumoral, de forma segura, através de um cuidadoso ajuste das células imunes cruciais, denominadas T reguladoras (Treg).

 

A equipa, constituída por Wayne Hancock e colegas, da divisão de imunologia de transplantes no The Children's Hospital of Philadelphia, EUA, baseou o seu estudo sobre uma questão fundamental que intriga os especialistas em imunologia: porque é que, possuindo recursos para tal, o sistema imunitário não previne o cancro?

 

Para o estudo, os investigadores analisaram um conjunto de células imunes Treg. Estudos anteriores demonstraram que essas células são importantes na supressão da atividade imunitária e conseguem bloquear a capacidade do sistema imunitário atacar o cancro. Todavia, não tinha sido possível reduzir essas células como forma de aumentar os ataques imunes às células cancerígenas.

 

Segundo Wayne Hancock, “precisámos de encontrar uma forma de reduzir a função das células Treg de forma a possibilitar a atividade antitumoral sem permitir reações autoimunes”. A equipa concentrou-se num subtipo de células imunitárias denominadas Foxp3 + Treg.

 

Os investigadores conseguiram demonstrar que a inibição da enzima p300 pode afetar as funções de outra proteína, a Foxp3, que desempenha um papel chave no controlo das células Treg. Ao eliminarem o gene que expressa a p300, os cientistas reduziram, de forma segura, a função Treg e limitaram o crescimento tumoral em ratinhos. A equipa observou que um medicamento que inibia a p300 em roedores normais produzia o mesmo efeito.

 

A equipa pretende agora investigar a forma como poderá utilizar a regulação da enzima p300 como imunoterapia contra o cancro.

 

Num estudo realizado em 2007, Wayne Hancock aumentou a função das Treg com o objetivo de suprimir a resposta imunitária para permitir que o organismo tolerasse melhor o transplante de órgãos, enquanto neste estudo a diminuição da atividade das Treg permitiu ao sistema imunitário atacar um visitante, tal como um tumor indesejado.

 

Em ambos os casos, os investigadores basearam-se nos processos epigenéticos, ou seja, na utilização de conjuntos de produtos químicos denominados grupos acetilo para alterar o comportamento das células Treg em direções opostas. “Estes são o yin e o yang da função imunitária”, comenta Wayne Hancock.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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