Desenvolvido nanocomponente que liberta fármacos no organismo

Estudo publicado em “Proceedings of the National Academy of Sciences”

20 agosto 2014
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Está a ser desenvolvido um nanocomponente que liberta fármacos no organismo de forma gradual, durante um período de até um ano, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.


Um em cada 4 adultos sofre de dor crónica e a toma de comprimidos para o alívio da dor não é ideal para esta camada da população, já que o fármaco vai para outras partes do organismo, podendo gerar efeitos secundários. Com este novo dispositivo, o fármaco liberta a dose necessária apenas na parte do organismo onde este é necessário.


Codesenvolvido por Paula Hammond, docente de engenharia no David H. Koch Institute for Integrative Cancer Research do Massachusetts Institute of Technology, EUA, esta tecnologia emprega uma película fina biodegradável a uma nanoescala, revestida com moléculas de fármaco que são absorvidas em doses constantes.


Segundo a coautora do estudo, tem sido difícil desenvolver um componente que liberte fármaco por mais do que dois meses, mas a equipa está a tentar desenvolver algo que seja “uma película extremamente fina e densa em termos de fármaco e que consiga libertar doses a um ritmo constante por um largo período de tempo”.


Uma das vantagens desta tecnologia é o facto de a mesma ser biodegradável, evitando assim que o dispositivo tenha que ser retirado do organismo após as doses de fármaco terem sido todas libertadas.


No entanto, a equipa teve que encarar um problema de difícil resolução, que é o de assegurar a localização correta da libertação do fármaco. Para isso, tiveram que criar um mecanismo que limitasse o índice de hidrólise (o processo em que a água quebra as ligações que mantêm o fármaco e o libertam no tecido pretendido). O mecanismo deve permitir que o fármaco seja libertado gradualmente, sendo que demasiada hidrólise libertaria demasiada quantidade de fármaco.


O dispositivo emprega uma técnica de acumulação de camadas que mantém o fármaco entre camadas de revestimentos de películas finas. O componente foi testado com diclofenac, um fármaco anti-inflamatório não esteroide (AINE), que foi libertado no organismo durante 14 meses, “tendo excedido de longe a duração prevista em relatórios anteriores, especialmente os oriundos de matrizes biodegradáveis”, explicam os autores.


Este nanocomponente pode ser também utilizado para outro tipo de fármacos, tais como os que tratam a tuberculose.


A equipa irá agora debruçar-se sobre a melhor forma de combinar diferentes moléculas de fármacos na película fina e tentar otimizar a técnica de forma a ajustar-se a diferentes ambientes no organismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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