Desenvolvido modelo de avaliação de tecnologias de saúde

Projeto do Instituto Português de Oncologia do Porto

05 dezembro 2016
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O Instituto Português de Oncologia do Porto desenvolveu um modelo de avaliação de tecnologias de saúde que tem como objetivo assegurar que os recursos do sistema, nomeadamente, os financeiros, proporcionam o máximo de benefícios para a saúde.
 
O modelo Cancer Value Label permite, por exemplo, verificar “como é que um medicamento se comporta em determinadas dimensões, nomeadamente na que se relaciona com a questão da qualidade de vida, e depois comparar os resultados com o preço”, disse à agência Lusa, Rocha Gonçalves, vogal do conselho de administração do IPO-Porto e responsável pelo projeto.
 
“Temos de ter a capacidade de olhar para uma tecnologia e dizer quais são as dimensões em que esta tecnologia faz verdadeira diferença e sabemos depois quanto mais em euros é que nos estão a pedir por aquele resultado na qualidade de vida do doente”, disse.
 
Rocha Gonçalves referiu que este modelo “é inovador, desde logo, porque não existia até agora nenhum modelo de avaliação de tecnologias da saúde 100% português. Isto é uma satisfação para nós, termos conseguido produzir o primeiro e por outro lado é inovador porque incorpora dimensões de valor acrescentado que os modelos que estão em uso ainda não incorporam”.
 
O modelo português foi certificado e publicado por uma das maiores plataformas globais de informação científica em cancro, a revista Ecancer Medical Sciense. Este reconhecimento permite que o modelo do IPO-Porto possa ser usado por qualquer instituição, pública ou privada, nacional ou internacional, a par dos modelos já existentes de entidades europeias.
 
“O que este modelo faz, porque permite diálogo com as farmacêuticas, é que haja proporcionalidade. Quando nos dão um medicamento que oferece mais 20% de qualquer coisa, seja de qualidade de vida, seja de anos, não é lógico que nos peçam mais 200% de preço. Se compramos mais 20% de resultado, pagamos mais 20% de preço. Esta lógica de proporcionalidade tem de ser observada porque senão estamos a pagar o preço dos monopólios e não a pagar o preço dos resultados que estamos a comprar”, frisou.
 
Rocha Gonçalves, adiantou ainda que “fica clarinho se há ou não proporcionalidade. Se nos aparecem com outra métrica, que é a dos 50 mil euros por ano de vida, eu não consigo dizer se existe proporcionalidade ou não. É uma métrica que se estabeleceu há muitos anos quando as maneiras de fazer as contas eram umas, agora é possível incorporar mais dimensões e é possível ter um diálogo que saia dessa armadilha comunicacional dos euros por ano de vida”.
 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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