Desenvolvido dispositivo que deteta cancro através de gota de sangue

Estudo do Instituto Superior de Engenharia do Porto

03 maio 2016
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Investigadores do Porto estão a desenvolver dois dispositivos "autónomos e baratos" que vão permitir a deteção precoce do cancro, através de uma amostra composta por uma gota de sangue.
 

Os responsáveis dos projetos, Goreti Sales e Lúcia Brandão, referem que o objetivo é criar dispositivos de fácil manuseamento, semelhantes aos utilizados para a leitura da glucose em pessoas com diabetes, mas que necessitam apenas da tira de glucose e não precisam da caixa de medida elétrica.
 

O projeto 3 P (plastic antibodies, photovoltaics, plasmonics), liderado pela investigadora Goreti Sales, do laboratório BioMark, que pertencen ao Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), engloba três áreas do conhecimento que "nunca se encontraram antes".
 

O estudo pretende juntar anticorpos plásticos a células fotovoltaicas (dispositivo elétrico em estado sólido, capaz de interagir com biomarcadores do cancro e de converter a luz em energia elétrica de forma interdependente) e, de seguida, a estruturas plasmónicas (que aumentam a eficiência da célula fotovoltaica).
 

"A leitura da amostra de sangue vai dar origem a uma cor, que vai permitir ao médico verificar se o paciente tem um biomarcador (biomolécula que circula no nosso organismo) alterado e indicar a necessidade de realizar análises aprofundadas e específicas", explicou à agência Lusa a investigadora.
 

Goreti Sales referiu que este processo é "uma despistagem local muito mais intensa do que a que se faz atualmente, com uma taxa de erro muito inferior", acrescentou.
 

"Com o desenvolvimento deste novo conceito de biossensor, vamos poder fazer testes em várias linhas de cancro, utilizando diferentes biomarcadores, podendo ainda estender-se a sua aplicação a outras doenças".
 

Até à data os investigadores já conseguiram associar os anticorpos plásticos às células fotovoltaicas, e estão atualmente a trabalhar num composto que seja capaz de mudar de cor de uma forma evidente, com o auxílio de materiais orgânicos.
 

O que se espera é que seja um produto, de utilização única, "barato e produzido a grande escala".
 

Por outro lado, o projeto Symbiotic, liderado pela investigadora do BioMark Lúcia Brandão, associa os anticorpos plásticos a um dispositivo autónomo que produz energia, mas não usa a célula fotovoltaica.
 

Neste caso, é utilizada uma célula de combustível – uma pilha – “que  vai detetar a presença do biomarcador", esclareceu a coordenadora.
 

"Se o sinal elétrico dessa célula combustível variar, vai dar indicação a um outro dispositivo agrupado, que muda de cor, indicando ao médico se o paciente tem indícios de cancro".
 

No projeto 3P participam as investigadoras Alexandra Santos, Ana Moreira, Ana Margarida Piloto, Carolina Hora, Felismina Moreira e Manuela Frasco, bem como a responsável pelo Symbiotic, Lúcia Brandão.
 

O Symbiotic é desenvolvido por um consórcio, composto pelo ISEP, pelo Imperial College, de Londres, pelo UNINOVA, da Universidade Nova de Lisboa, pela organização finlandesa de investigação VTT e pela Universidade Aarhus, da Dinamarca.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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