Desenvolvido calçado terapêutico para pés reumáticos ou diabéticos

Iniciativa de uma startup do Porto

19 maio 2016
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Uma startup do Porto desenvolveu um calçado terapêutico e certificado, para indivíduos com pé reumático ou diabético em estadio avançado, que ajuda a prevenir o desenvolvimento de úlceras associadas a esta patologia.
 

"Estamos a falar de pés com alterações críticas, em que pequenas diferenças de pressão, de humidade ou de alteração do padrão da marcha podem ter consequências muito mais gravosas do que num pé normal", referiu à agência Lusa João Amaro, fundador da startup Moldaro.
 

O médico fisiatra explica que, no caso dos diabéticos, a alteração desses fatores pode levar ao desenvolvimento de úlceras, infeções e, em casos mais graves, à amputação do pé.
 

"A taxa de morbilidade e mortalidade associada à diabetes é neste momento mais elevada do que algumas doenças infeciosas como a sida, a tuberculose ou a malária", disse.
 

O atingimento do sistema nervoso periférico e do sistema vascular arterial são os grandes responsáveis pelas manifestações associadas ao pé diabético, enquanto as alterações a nível sensitivo e motor são provocadas pela lesão dos tecidos nervosos.
 

O calçado desenvolvido tem a forma com profundidade e largura aumentadas, pele exterior suave e extensível, forro sem costuras interiores e telas em tecido especial, com intuito de garantir a manutenção da estrutura do sapato e uma correta eliminação da humidade.
 

Os componentes utilizados na produção do sapato, como a estabilização do calcanhar e forma da palmilha removível, asseguram uma correta biomecânica da marcha e a dissipação das pressões plantares.
 

"Um dos nossos grandes cuidados é manter o calçado apelativo", indicou o médico, referindo também a estabilidade medial e lateral no contraforte e os materiais macios e almofadados como duas das suas principais características.
 

A sola é produzida em material leve e antiderrapante, devido ao risco de queda aumentado dos doentes com pé diabético, tendo em conta as suas alterações neurológicas motoras.
 

A ideia para o desenvolvimento do calçado surgiu durante o internato da especialidade, em 2013, quando João Amaro conheceu pessoas ligadas a esta indústria.
 

João Amaro acredita que os doentes merecem "melhores produtos de apoio, especialmente ao nível da comunicação entre quem prescreve e quem oferece o produto médico" e por isso pretende estar ligado "à base", de forma a garantir a qualidade daquilo que é usado pelos doentes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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