Desenvolvidas nanopartículas que podem ser administradas oralmente

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

02 dezembro 2013
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Investigadores americanos desenvolveram um novo tipo de nanopartículas que podem ser tomadas oralmente e absorvidas através do trato digestivo, possibilitando assim a toma de um comprimido em vez da administração de injeções, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

Neste estudo, os investigadores do MIT e do Brigham and Women's Hospital, EUA, utilizaram estas partículas para administrar oralmente insulina a ratinhos. No entanto, os autores do estudo referiram que pode ser encapsulado qualquer tipo de fármaco dentro destas nanopartículas..  
 

Este tipo de transporte de fármacos poderá ser especialmente útil no desenvolvimento de novos tratamentos para condições como colesterol elevado ou artrite. Estes pacientes estariam mais recetivos à toma regular de comprimidos do que às frequentes administrações injeções.
 

Atualmente, estão em curso vários ensaios clínicos para testar a eficácia da utilização de nanopartículas, por via intravenosa, no tratamento do cancro e outras doenças. Estas partículas exploram o fato de os tumores e os tecidos afetados estarem rodeados por vasos sanguíneos com vazamento.
 

No caso das nanopartículas orais, estas necessitam de atravessar o revestimento intestinal. De forma a ultrapassar esta barreira física, os investigadores basearam-se num trabalho anterior, o qual demonstrou como os bebés absorviam os anticorpos contido no leite das mães. Estes anticorpos ligam-se a recetores de superfície celular denominados por FcRN.
 

Assim, neste estudo, os investigadores cobriram as nanopartículas com proteínas Fc, a parte do anticorpo que se liga aos recetores FcRN, que também pode ser encontrado nas células intestinais adultas. Após as nanopartículas serem ingeridas, as proteínas Fc ligam-se aos recetores FcRN no intestino, arrastando as nanoparículas com eles.  
 

“A descoberta da forma como este tipo de nanopartículas consegue penetrar nas células é um passo importante para conseguir que estas sejam veiculadas oralmente”, revelou, em comunicado de imprensa, Edith Mathiowitz, da Universidade de Brown.
 

Os investigadores apuraram que as nanopartículas revestidas de proteínas Fc conseguiam atingir a corrente sanguínea com uma eficácia 11 vezes superior à conseguida com as nanopartículas sem estas proteínas. Foi também verificado que a quantidade de insulina administrada foi suficiente para diminuir os níveis de açúcar no sangue.
 

Os autores do estudo esperam agora aplicar os mesmos princípios ao desenho de nanopartículas que sejam capazes de atravessar outras barreiras, como a barreira sangue-cérebro, que impede que os fármacos atinjam este órgão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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