Desenvolvidas células tiroideias a partir de estaminais

Estudo publicado na revista “Stem Cell Reports”

07 fevereiro 2017
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Investigadores americanos descobriram uma forma eficaz de desenvolver novas células tiroideias a partir de células estaminais, atesta um estudo publicado na revista “Stem Cell Reports”.
 
As doenças da tiroide afetam aproximadamente mais de um milhão de portugueses e de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, surgem anualmente mais de 400 novos casos de cancro da tiroide, uma das doenças mais graves que afeta este órgão. 
 
A tiroide é uma glândula situada na base do pescoço. Esta glândula produz e liberta duas hormonas, a iodotironina e a tetraiodotironina, que atingem todas as células, órgãos e tecidos para a ajudar a controlar o metabolismo. Estas hormonas são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento do organismo, estando nomeadamente envolvidas na regulação da temperatura corporal, frequência cardíaca, pressão arterial, controlo de peso e estados de humor.
 
As doenças principais da tiroide incluem o bócio, presença de nódulos, hipertiroidismo, hipotiroidismo e as doenças autoimunes, como a Doença de Graves e a tiroidite de Hashimoto.
 
A maioria das doenças da tiroide são condições crónicas que podem ser controladas. Contudo, 60% dos casos não são diagnosticados e  podem conduzir a problemas graves de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, infertilidade e osteoporose.
 
No estudo, os investigadores descobriram uma forma de modificar geneticamente células estaminais embrionárias de ratinhos para desenvolver células da tiroide. As células estaminais foram modificadas de forma a expressarem um “interruptor” genético para um gene específico, o Nkx2-1, que desempenha um papel importante no desenvolvimento da tiroide.
 
Posteriormente, os investigadores guiaram as células estaminais embrionárias ao longo de várias etapas enquanto ativavam e desativavam o Nkx2-1 durante curtos períodos de tempo. Verificou-se que existe uma janela de oportunidade muito pequena durante a qual o gene Nkx2-1 é ativado e converte a maioria das células estaminas em células da tiroide.
 
Laertis Ikonomou, um dos autores do estudo, concluiu que este método pode também ser utilizado para a obtenção de outro tipo de células clinicamente relevantes, tais como células pulmonares, células produtoras de insulina, células hepáticas, etc.
 
Os cientistas esperam que este estudo conduza ao desenvolvimento de terapias ou tecnologias de engenharia genética / células estaminais que poderão melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes afetados com doenças da tiroide e outras.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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