Desenvolvidas células T resistentes ao vírus VIH

Estudo publicado na “Molecular Therapy”

28 janeiro 2013
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Cientistas da Stanford University School of Medicine, nos EUA, desenvolveram uma técnica de manipulação genética de células resistentes ao vírus VIH, que poderá constituir uma alternativa à medicação vitalícia que têm que tomar os pacientes VIH positivo, no caso de a mesma se demonstrar eficiente em seres humanos.

 

O vírus do VIH é altamente perigoso devido à sua capacidade de eliminar as células T (que são as principais responsáveis pela imunidade celular), conduzindo, gradualmente, à SIDA e causando a destruição do sistema imunitário. O vírus consegue penetrar nas células T através de dois genes: o CXR4 e o CCR5, ambos recetíveis ao vírus.

 

Otratamento da SIDA é complicado devido às mutações constantes do vírus do VIH, tornando-se assim necessário tratar os pacientes com uma variedade de fármacos, ou seja, recorrendo à terapia anti-retroviral altamente ativa (TAAA).

 

A equipa de investigadores utilizou no seu estudo o que descreveu como “tesouras moleculares” para cortarem e colarem inúmeros genes resistentes ao vírus VIH em células T.

 

A equipa utilizou a enzima nuclease para localizar uma secção do ADN do gene do recetor CCR5, tendo procedido a uma quebra na sequência e inserção de três genes com resistência ao VIH.

 

Matthew Porteus, principal autor do estudo, explica: “desativámos um dos recetores que o VIH utiliza para ganhar acesso às células T e adicionámos outros genes que oferecem proteção contra o VIH, para podermos obter múltiplas camadas de proteção, que se chama empilhamento. Podemos utilizar esta estratégia para produzir células resistentes aos principais tipos de VIH”.

 

A combinação dos três genes ajudou as células a defenderem-se do vírus VIH, através dos recetores CXCR4 e CCR5. Foram inseridas muitas camadas de segurança através da desativação do gene CCR5 e adicionados genes anti VIH.

 

De seguida passou-se à fase de testes às capacidades protetoras das células T, através da criação de versões em que se colocou um, dois ou três dos genes e se expôs as células T ao vírus VIH. Os resultados revelaram que os genes triplamente modificados eram os mais resistentes à infeção. As células T que não tinham sofrido modificações acabaram por ceder à infeção no espaço de 25 dias.

 

Se for demonstrado que este método é eficiente em seres humanos, poderá vir a substituir totalmente os tratamentos com fármacos. “A introdução de células T resistentes numa pessoa infetada não iria curar uma infeção por vírus. No entanto, iria oferecer-lhe um conjunto protegido de células T que evitaria o colapso imunitário que normalmente dá origem à SIDA”, afirma Sara Sawyer, coautora do estudo e professora assistente de genética molecular e microbiologia na University of Texas-Austin”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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