Desenvolvidas células beta produtoras de insulina

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

15 abril 2016
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Investigadores americanos descobriram como ativar o crescimento de células beta pancreáticas funcionais em laboratório. O estudo, publicado na revista “Cell Metabolism”, é um passo importante para uma terapia celular para a diabetes.
 

Há muito que a comunidade científica tentava obter células beta a partir de células estaminais, mas apenas tinham conseguido chegar a uma etapa percursora do processo de diferenciação. Neste estudo, os investigadores do Instituto Salk, nos EUA, descobriram que a maturação in vitro das células beta necessita da ativação de uma proteína, a ERRγ.
 

A capacidade de autorrenovação das células estaminais pluripotentes humanas e a sua capacidade em se diferenciaram na maioria das células do organismo, desde neurónios a células da pele, levou muitos investigadores a tentarem descobrir uma forma de produzir células beta produtoras de insulina.
 

De forma a obter vários tipos de células em laboratório, as células estaminais pluripotentes humanas têm de ser induzidas de forma a passarem pelas diferentes etapas a que as células fetais são submetidas de modo a se diferenciarem em vários tipos de células. Contudo, há muitos pontos de desenvolvimento entre uma célula estaminal e um tipo de célula completamente madura. No caso das células beta pancreáticas, as células estaminais têm permanecido num estadio precoce quando cultivadas em laboratório.
 

Com o intuito de perceber o que poderia desencadear a diferenciação completa das células, os investigadores compararam os transcriptomas de células beta fetais e adultas. O transcriptoma contem, nomeadamente, o conjunto completo de moléculas que ativam e desativam os genes no genoma.
 

Os investigadores constataram que a ERRγ estava em maiores quantidades nas células beta adultas. Após terem desenvolvido ratinhos que não expressavam a ERRγ, os cientistas verificaram que as células beta dos ratinhos não produziam insulina em resposta aos picos de açúcar no sangue. Contudo, quando forçaram as células beta semelhantes às humanas e cultivadas em laboratório a produzirem mais ERRγ verificaram que estas respondiam à glucose e produziam insulina.
 

Por último, os investigadores transplantaram as células beta desenvolvidas em laboratório em ratinhos diabéticos. Verificou-se que, desde o primeiro dia do transplante, as células produziam insulina em resposta aos picos de glucose no sangue dos animais.
 

“Estamos muito entusiasmados com o que observámos”, referiu, um dos autores do estudo, Ronald Evans. A ativação da ERRγ é suficiente para maturar as células semelhantes às células beta e para que estas produzam insulina em resposta à glucose, tanto em cultura de células como em animais.
 

“Acredito que este estudo nos vai conduzir a uma nova era na criação de células beta funcionais”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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