Desenvolvida uma “segunda pele”

Estudo publicado na revista “Nature Materials”

13 maio 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um novo material que pode temporariamente proteger e fornecer mais firmeza à pele assim como suavizar rugas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Materials”.
 
À medida que a pele envelhece torna-se menos firme e elástica, problemas estes que podem ser exacerbados pela exposição solar. Isto prejudica a capacidade da pele em se proteger contra temperaturas extremas, toxinas, microrganismos, radiação e lesões. Há cerca de dez anos, os investigadores do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) decidiram desenvolver uma camada protetora que poderia restaurar as propriedades da pele saudável, tanto para aplicações médicas como cosméticas.
 
“Começámos a pensar como poderíamos controlar as propriedades da pele através da utilização de polímeros que conferissem efeitos benéficos”, revelou, em comunicado de imprensa, Daniel Anderson.
 
O material desenvolvido, um polímero à base de silicone, pode ser aplicado à pele como uma capa fina e impercetível que mimetiza as propriedades mecânicas e elásticas da pele saudável e jovem. 
 
No estudo, os investigadores, liderados por Robert Langer, começaram por criar um biblioteca de mais de 100 polímeros possíveis, que continham uma estrutura química conhecida por siloxano. Estes polímeros podem ser organizados numa disposição em rede conhecida por camada de polímero reticulado (XPL). Posteriormente os investigadores testaram os materiais de forma a encontrar um que melhor mimetizasse a aparência, força e elasticidade da pele saudável.
 
O material com melhor comportamento apresentava propriedades elásticas muito semelhantes às da pele. “O desenvolvimento de um material que se comporte como a pele é muito difícil. Muitas pessoas tentaram fazê-lo, mas os materiais disponíveis até à data não eram flexíveis, confortáveis, não irritantes, e não eram capazes de se adaptar ao movimento da pele e de voltar à forma original”, revelou uma das coautoras do estudo, Barbara Gilchrest.
 
O XPL é aplicado em duas etapas. Em primeiro lugar, os componentes de polisiloxano são aplicados na pele, seguidos de um catalisador de platina, que induz o polímero para formar um filme forte reticulado que permanece na pele até 24 horas. Este catalisador tem de ser adicionado depois do polímero ser aplicado, porque, após este passo, o material torna-se demasiado rígido e difícil de espalhar. Ambas as camadas são aplicadas como cremes ou pomadas e, uma vez espalhadas sobre a pele, o XPL fica invisível.
 
Os investigadores realizaram vários estudos para testar a segurança e eficácia do material. Num dos estudos, após terem aplicado o XPL na zona debaixo dos olhos, onde se formam as olheiras, os investigadores verificaram que o material exercia uma compressão constante que esticou a pele, tendo este efeito durado cerca de 24 horas.
 
O XPL foi também aplicado à pele do antebraço para testar a sua elasticidade. Quando a pele foi tratada com XPL e distendida com uma ventosa, regressou mais rapidamente à sua posição original do que a pele não tratada. O estudo apurou ainda que o material impediu a perda de água da pele seca e não causou qualquer irritação.
 
Os autores do estudo concluíram que, com mais desenvolvimentos, este material pode ser utilizado para administração de fármacos capazes de tratar, nomeadamente, o eczema e outros tipos de dermatite. Este tipo de "segunda pele" também pode ser adaptado para fornecer proteção ultravioleta de longa duração.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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