Desenvolvida molécula que mimetiza exercício físico

Estudo publicado na revista “Chemistry and Biology”

11 agosto 2015
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Investigadores do Reino Unido desenvolveram uma molécula que mimetiza a prática de exercício físico, podendo potencialmente ajudar a tratar a diabetes tipo 2 e a obesidade, sugere um estudo publicado na revista “Chemistry and Biology”.
 
Os investigadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, constataram que a nova molécula, denominada Composto 14, inibe a função da enzima ATIC, que está envolvida no metabolismo, conduzindo à acumulação de uma molécula, conhecida por ZMP, nas células. Este aumento da ZMP faz as células pensar que ficaram sem energia, dando lugar à ativação do sensor de energia central das células, o AMPK. Isto faz com que estas aumentem os seus níveis de energia através do aumento da captação de glucose e da aceleração do metabolismo.
 
Os investigadores verificaram que a ativação da AMPK com o Composto 14 conduziu a uma redução dos níveis de glucose em jejum, aumentando a tolerância à glucose e promovendo simultaneamente a perda de peso em ratinhos obesos.
 
No estudo, os investigadores administraram a nova molécula a dois grupos de ratinhos que foram alimentados com uma dieta normal ou com uma dieta rica em gordura, o que tornou estes últimos em animais obesos e com problemas na tolerância à glucose (um dos sinais clínicos da pré-diabetes).
 
O estudo apurou que quando os animais com uma dieta normal foram tratados com o Composto 14, os seus níveis de glucose e peso mantiveram-se normais. Contudo, nos ratinhos obesos com uma dieta rica em gordura, a administração de uma única dose do composto conduziu a uma diminuição dos níveis de glucose no sangue para valores perto dos normais. 
 
Os investigadores verificaram ainda que a administração de uma dose diária do composto, ao longo de sete dias, melhorou a tolerância à glucose dos ratinhos obesos e conduziu a uma perda de 1,5 gramas, o correspondente a cerca de 5% do seu peso corporal. O Composto 14 não afetou o peso dos ratinhos que eram alimentados com uma dieta normal.
 
“Os tratamentos atuais para a diabetes tipo 2 centram-se no aumento dos níveis de insulina em circulação ou na melhoraria da sensibilidade à insulina. A questão é que os fármacos já existentes não permitem que os pacientes com diabetes tipo 2 atinjam o controlo glicémico e alguns podem até mesmo resultar em aumento de peso, um dos principais fatores que levam à epidemia da diabetes. Por outro lado, esta nova molécula parece reduzir os níveis de glucose e, ao mesmo tempo, diminuir o peso corporal, mas apenas nos obesos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Felino Cagampang.
 
Os investigadores esperam poder desenvolver ainda mais a molécula para analisar o efeito do tratamento a longo prazo e o seu modo de ação na melhoria da tolerância à glucose e na redução do peso corporal. No caso de esta ser segura, poderá ser desenvolvido um fármaco para ajudar as pessoas com diabetes e obesidade a controlar estas condições.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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