Desempregados em maior risco de enfarte agudo do miocárdio

Estudo publicado nos “Archives of Internal Medicine”

22 novembro 2012
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O risco de ocorrência de enfarte agudo do miocárdio é mais elevado nos adultos desempregados ou que tenham passado por sucessivas perdas de emprego, conclui um estudo conduzido por uma equipa de investigadores da Duke University, em Durham na Carolina do Norte, EUA.
 

O estudo pretendia investigar a associação entre diferentes dimensões relativas à instabilidade no trabalho e uma maior propensão para a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio, explicou o autor principal do estudo, Matthew Dupre, do departamento de medicina familiar e comunitária da Duke University.
 

Foram utilizados, na investigação, dados de 13.451 participantes de nacionalidade norte-americana com idades compreendidas entre os 51 e os 75 anos. Os participantes, que perfaziam uma média de idades de 62 anos, foram submetidos a entrevistas de acompanhamento a cada dois anos, entre 1992 e 2010.
 

No início do estudo, 14%dos participantes estavam sem trabalho, 69,7% tinham passado por uma ou mais perdas de trabalho e 35,1% tinham experimentado um período de tempo sem trabalho. Durante o estudo 7,9% dos participantes, ou seja 1061, tiveram um ataque cardíaco.
 

Em termos estatísticos, foi determinado que o risco de enfarte agudo do miocárdio tinha sido 35% mais elevado em indivíduos desempregados (sendo ainda maior naqueles que tinham perdido mais que um emprego) comparativamente aos que não tinham perdido empregos. Este risco tinha-se tornado particularmente elevado durante os primeiros 12 meses de desemprego (27%maior), facto que não se verificou após esse período.
 

Outros fatores conhecidos, como a diabetes tipo 2, sedentarismo, fumar e hipertensão arterial, a par da perda múltipla de empregos, tinha contribuído igualmente para o aumento do risco de enfarte agudo do miocárdio.
 

Gregg Fonarow, professor de cardiologia da University of California, Los Angeles, EUA, defende que há estudos que demonstram que a situação de desemprego resulta num enorme stress fisiológico. O docente explica que “este stress tem sido associado a um risco de episódios cardiovasculares. E o próprio stress conduz a uma variedade de resposta pro-inflamatórias que podem abrir caminho para episódios cardiovasculares”, acrescentou.
 

Finalmente, algumas teorias defendem que as pessoas que perdem os empregos prestam menos atenção à saúde. “Por isso, quanto mais conhecimento houver sobre isto, melhor, já que esta é obviamente uma situação complexa com muitos fatores contributivos”, conclui Gregg Fonarow.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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