Descobertos seis novos genes relacionados com o cancro da mama
14 junho 2002
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Investigações em torno de uma doença rara, anemia Fanconi, permitiram descobrir seis novos genes que parecem estar relacionados com o cancro da mama, indica um artigo publicado na edição on line da revista Science.
 

 

Antes eram conhecidos dois genes cujas mutações podem aumentar o risco das mulheres sofrerem de cancro da mama, os denominados BRCA1 e BRCA2. Agora o número de genes que aumentam a susceptibilidade à doença sobe para oito.
 

 

Segundo investigadores do Instituto do Cancro Dana-Farber e do Hospital Pediátrico de Boston, ambos em Massachusetts, os novos genes descobertos estão directamente relacionados com os dois já conhecidos, com os quais interagem.
 

 

 

Mutações
 

 

Os cientistas consideram que a partir de agora as análises genéticas que permitem comprovar as mutações poderão estender-se aos seis novos genes, além dos dois já conhecidos, o que ajudará médicos e pacientes a decidirem o tratamento mais adequado.
 

 

Quando o ADN de uma célula fica danificado por qualquer razão, como as radiações solares excessivas, as substâncias químicas do tabaco ou outras, cinco dos seis genes descobertos agrupam-se e criam um complexo de proteínas que estimula o sexto gene.
 

 

Este sexto gene, o D2, produz outra proteína que se dirige à área de influência do BRCA1, cujo trabalho consiste em reparar os danos provocados no material genético.
 

 

Quando este último gene sofre danos ou alterações, o mecanismo de recomposição do ADN é interrompido e é produzida uma multiplicação sem limite das células, o que dá lugar a tumores e ao cancro, explicaram os investigadores.
 

 

"Assim como as mulheres se podem submeter hoje em dia a análises para detectar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, determinando se têm uma predisposição para o cancro da mama, as provas nestes novos seis genes podem já transformar-se em habituais", declarou Alan D+Andrea, investigador do centro Dana- Farber.
 

 

Dez anos de pesquisa
 

 

A descoberta foi possível graças a investigações, durante mais de dez anos, sobre a anemia Fanconi, doença que apenas foi detectada em poucas famílias norte-americanas e que faz com que as crianças nasçam com um problema na medula óssea, que as impede de produzir os glóbulos vermelhos que transportam o oxigénio.
 

 

Caso cheguem a adultos, muitas vezes graças a um transplante de medula, o risco de desenvolverem diferentes tipos de cancro é mais elevado.
 

 

"Este trabalho é uma boa amostra de como a investigação sobre doenças raras pode proporcionar tratamentos para doenças comuns", explicou DAndrea.
 

 

Os cientistas desenvolveram em 2001 um tratamento polémico que consiste na selecção de embriões para evitar a anemia Fanconi.
 

 

Esta selecção, considerada uma manipulação genética, permitiu que alguns pais concebessem filhos livres do problema para que a sua medula óssea servisse de transplante para ajudar um irmão doente.
 

 

Fonte: Lusa
 

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