Descobertos recetores de odor nos pulmões

Estudo publicado na revista “American Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology”

07 janeiro 2014
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Tal como o nariz, os pulmões têm recetores de odor capazes de detetar o fumo do tabaco, dá conta um estudo publicado na revista “American Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology”.
 
Os investigadores da Universidade de Washington em St. Louis e da Universidade do  Iowa, nos EUA, constataram que contrariamente aos recetores encontrados no nariz, que estão localizados nas membranas das células nervosas, os dos pulmões encontram-se nas membranas das células neuroendócrinas. 
 
O estudo apurou que, em vez de enviarem impulsos nervosos ao cérebro para que este se aperceba da existência do cheiro acre de um cigarro aceso na vizinhança, estes recetores despoletam a produção de hormonas, as quais conduzem à contracção das vias respiratórias. 
 
Este novo tipo de células, descoberto pela equipa liderada por Yehuda Ben-Shahar, e que expressa os recetores olfativos nas vias respiratórias, é conhecido por células neuroendocrinas pulmonares. 
 
"Esquecemo-nos, que o nosso corpo é um tubo dentro de um outro tubo, deste modo os pulmões e os intestinos estão em permanente contacto com o ambiente exterior. Embora eles estejam localizados dentro do nosso organismo, na realidade eles fazem parte da camada externa. Eles sofrem agressões ambientais constantes, assim faz sentido o organismo ter evoluído no sentido de criar mecanismos de proteção”, explicou, em comunicado de imprensa, Yehuda Ben-Shahar. De acordo com os autores do estudo, as células neuroendocrinas pulmonares funcionam como sentinelas cuja função é excluir os químicos tóxicos ou irritantes. 
 
Os investigadores acrescentam ainda que estas células poderão ser responsáveis pela hipersensibilidade química que caracteriza algumas doenças respiratórias, como a doença pulmonar obstrutiva crónica e a asma. Estes pacientes são aconselhados a evitar fumos libertados pelos automóveis, odores fortes, ou perfumes irritantes, os quais podem despoletar a constrição das vias aéreas e dificuldades respiratórias.
 
Assim, na opinião de Yehuda Ben-Shahar, os recetores de odor destas células poderão funcionar como alvo terapêutico. O seu bloqueio pode conseguir evitar alguns ataques e permitir ainda a redução da utilização de esteroides ou broncodilatadores.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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